outubro 13, 2004

Teerão exige propostas concretas da UE sobre o nuclear

[Fonte: O Comércio do Porto]

Teerão exigiu ontem propostas concretas da União Europeia (UE) para que o dossier nuclear saia do impasse, mas não deixou de reafirmar o seu direito a enriquecer urânio ao chegar ao país uma delegação da AIEA.

"É altura de [os europeus] serem precisos", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kamal Kharazi, citado pela agência noticiosa ISNA, quando falta um mês e meio para prescrever o prazo dado para satisfação das exigências da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Uma equipa liderada por Pierre Goldschmidt, vice-presidente da AIEA, está até sábado no Irão para visitar instalações, designadamente a de Parchin (leste de Teerão), e preparar um relatório acerca das actividades nucleares a entregar na reunião do Conselho de Governadores da organização, a 25 de Novembro.

"Os europeus não respeitaram compromissos assumidos e têm de avançar com propostas para um acordo sobre o legítimo direito iraniano a utilizar tecnologia nuclear civil, mediante garantias de que não tenciona fabricar a arma atómica", precisou Kharazai.

Todavia, precisou: "Seria falso pensar que [os europeus] podem, através de negociações, obrigar o país a renunciar ao direito de enriquecer urânio. A confiança é recíproca e os objectivos só poderão ser alcançados se assim continuar a ser".

Na segunda-feira, Bernard Bot, ministro dos Negócios Estrangeiros da Holanda, país com a presidência semestral da UE, afirmou que "se o Irão aceitar suspender todas as actividades de enriquecimento de urânio haverá condições para prosseguir o diálogo".

Bot frisou que a política comunitária face ao Irão é de "compromisso e empenhamento, passando por acordos comerciais, de cooperação e outros destinados a intensificar as relações".

Publicado por jpdias às 11:38 PM

outubro 14, 2004

Sampaio insiste na aproximação dos cidadãos ao projecto europeu

[Fonte: Comércio do Porto]

O Presidente da República defendeu ontem uma aposta forte nas políticas de comunicação da União Europeia para contrariar o alheamento dos cidadãos face ao projecto europeu. Depois de receber das mãos do Rei de Espanha o Prémio Carlos V pela dedicação aos ideais europeus, numa cerimónia que decorreu no Mosteiro de Yuste (Extremadura), Jorge Sampaio lembrou a "persistente ineficácia das políticas de comunicação da União para informar os cidadãos sobre a bondade do projecto europeu e anular muitas caricaturas que prejudicam adesões e aprofundam distanciamentos pessoais".

A aposta numa política de comunicação mais eficaz é, na opinião do Chefe de Estado, uma "tarefa prioritária e urgente", porque "do seu sucesso dependerá a consistência de um verdadeiro espaço público de verdadeira cidadania europeia".

"Nem os governos, nem as instituições comunitárias, nem as forças políticas dos diversos Estados, nem os media, têm sabido exercer um devido trabalho pedagógico para, através dele, quebrar o preocupante alheamento dos cidadãos, bem patente nas recentes eleições para o Parlamento Europeu". "E porque se volta durante o próximo ano a decidir o rumo europeu, agora ligado à ratificação do Tratado Constitucional, será útil recordar o extenso património de realizações, promovendo para isso um amplo processo de esclarecimento junto dos cidadãos, de modo a despertar neles uma cultura de responsabilidade participativa nas escolhas que irão influenciar amplamente o seu futuro", defendeu.

Sampaio voltou a classificar o Tratado Constitucional como "uma resposta realista aos anseios de uns e aos temores de outros, num esforço de equilíbrio e compromisso que bastante deve ao método inédito e aberto à sociedade civil proporcionado pelos trabalhos da Convenção Europeia".

O Presidente da República sucede ao ex-Presidente da União Soviética Mikhail Gorbachov como vencedor do Prémio Carlos V, atribuído pela Academia Europeia de Yuste para distinguir figuras que tenham contribuído para o engrandecimento dos valores europeus.

Sampaio admitiu aos jornalistas que guardará para si os cerca de 90 mil euros do prémio que lhe foi entregue pelo Rei de Espanha, Juan Carlos I. "O prémio, desta vez, vai ser para mim. Não vai haver associações de caridade. Os tempos vão maus", disse o Presidente da República aos jornalistas.

Publicado por jpdias às 11:44 PM