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janeiro 06, 2005
UE/Pesca: Governo antevê negociações difíceis
UE/Pesca: Governo antevê negociações difíceis
Bruxelas quer que pescadores portugueses reduzam dos actuais 28 para 20 dias de faina na apanha da pescada
O ministro da Agricultura e Pescas, Carlos Costa Neves, antevê negociações "bastante difíceis" com a Comissão Europeia sobre as quotas de pesca para 2005, depois das reuniões bilaterais de hoje não terem resultado numa evolução das posições.
"Trata-se de uma negociação bastante difícil e a reunião bilateral de hoje (entre cada Estado-membro, Comissão Europeia e presidência holandês da União Europeia) não nos deu sinal de grande evolução", afirmou o governante no final do encontro de Portugal, onde o País apresentou as suas reivindicações.
Entre as propostas mais polémicas, Bruxelas quer que os pescadores portugueses reduzam dos actuais 28 para 20 dias de faina na apanha da pescada e a criação de duas zonas de interdição total da pesca ao largo do Algarve e de Sines para proteger o lagostim, mas que afectará todos os pescadores da zona que capturam outras espécies.
Tais medidas, que serão discutidas terça e quarta-feira em Bruxelas pelos ministros de Pesca da União Europeia (UE), poderiam afectar, segundo as contas preliminares do governo português, até três mil embarcações.
Portugal está disposto a negociar porque admite a necessidade de "um equilíbrio entre a protecção dos recursos e a manutenção da pesca como actividade económica com impacto social", mas faz questão que Bruxelas leve em conta a especificidade da pesca nacional.
"A Comissão Europeia não está a considerar os esforços dos últimos dez anos: a frota portuguesa reduziu para metade, está a pescar menos 40 por cento e a dar emprego a menos 50 por cento dos pescadores. Isto é um esforço claro que tem sido feito com consequências e achamos que este esforço não pode deixar de ser considerado", acrescentou.
Depois de ouvir os vários Estados-membros interessados, Bruxelas irá apresentar terça-feira de manhã uma primeira proposta de compromisso, a que se seguirá a discussão da mesma, mas as delegações prevêem uma nova maratona de negociações, tal como acontece todos os anos.
Publicado por esta às janeiro 6, 2005 10:52 AM