« Governo disponibiliza ajuda no âmbito da UE | Entrada | Moçambique/eleições: RENAMO denuncia irregularidades »

janeiro 06, 2005

Ucrânia: Ianukovitch não reconhece derrota

Ucrânia: Ianukovitch não reconhece derrota


Candidato vai pedir ao Supremo Tribunal a anulação da votação invocando fraudes

O candidato pró-russo Viktor Ianukovitch declarou hoje que "jamais reconhecerá" a derrota nas presidenciais de domingo na Ucrânia e que vai pedir ao Supremo Tribunal a anulação da votação, invocando fraudes cometidas no escrutínio.

"Jamais reconhecerei uma tal derrota porque a Constituição e os direitos humanos foram desrespeitados", declarou Ianukovitch numa conferência de imprensa em Kiev, transmitida em directo pela televisão.

O líder da oposição Viktor Iuchtchenko é o vencedor do escrutínio com uma vantagem de cerca de oito pontos após a contagem de mais de 99 por cento dos votos.

"O meu pedido ao Supremo Tribunal será no sentido de voltar a examinar a votação e anular o resultado", declarou Ianukovitch, repetindo que já não confia na câmara civil do Supremo Tribunal e que vai exigir que a sua queixa seja examinada "publicamente pelo colégio do Tribunal".

Por outro lado, Ianukovitch confirmou que não vai apelar aos apoiantes para descerem às ruas, seguindo o modelo da "revolução laranja" de Iuchtchenko.

Ianukovich denunciou "a morte de oito pessoas", afirmando ter sido causada pelas modificações da lei eleitoral impostas pela oposição (para impedir fraudes) e anunciadas tardiamente, o que impediu o voto domiciliário das pessoas doentes e idosas.

O candidato pró-russo afirmou que 4,8 milhões de eleitores "não puderam votar, foram repudiados e humilhados".

Nenhuma indicação sobre um número igualmente considerável de cidadãos privados do direito de voto foi fornecido hoje pelos observadores internacionais, quer os ocidentais, quer os da CEI (ex- URSS, menos os países bálticos).

"Os nossos observadores registaram 4.971 queixas" feitas por eleitores, declarou ainda Ianukovitch.

Ainda sobre a anulação por fraude maciça da segunda volta das presidenciais a 21 de Novembro, do qual foi vencedor, Ianukovitch considerou que o Supremo Tribunal tomou esta decisão "em violação da Constituição e da lei".

O candidato pró-russo afirmou que pretende continuar a sua acção "apenas pelas vias legais", ao mesmo tempo que acrescentou não excluir que grupos de apoiantes em várias regiões organizem protestos "espontâneos".

A presidência holandesa da União Europeia apelou hoje a "todos os partidos e instituições a cooperarem para consolidar a democracia" na Ucrânia, na sequência da vitória de Iuchtchenko.

O secretário de Estado norte-americano Colin Powell congratulou-se hoje pelo bom desenrolar das eleições ucranianas, que foram "livres e justas".

Também o Conselho da Europa apelou a "todas as partes para que aceitem o veredicto das urnas" no dia seguinte à realização da nova segunda volta das presidenciais na Ucrânia.

"Apelo a todas as partes para que aceitem o veredicto e a abster-se de qualquer declaração que possa levar à divisão da Ucrânia", disse, em comunicado, Terry Davis, secretário-geral do Conselho da Europa.

"A vontade do povo ucraniano foi claramente estabelecida. Este escrutínio deverá pôr fim à crise neste país membro do Conselho da Europa", acrescentou.

"O povo ucraniano fez prova de maturidade democrática ao encontrar uma solução pacífica e felicito-o de todo o coração. Espero encontrar em breve o novo presidente ucraniano para debater com ele a continuação da cooperação entre o Conselho da Europa e do seu país", concluiu.

O Conselho da Europa participou na Missão Internacional de Observação das Eleições (MIOE) na Ucrânia, que incluía também membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da NATO e do Parlamento Europeu.

O Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, Javier Solana, saudou o sentido das "responsabilidades" dos dirigentes ucranianos, apelando para que "continuem a trabalhar em conjunto" após a vitória de Viktor Iuchtchenko nas presidenciais.



Publicado por esta às janeiro 6, 2005 11:15 AM