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janeiro 06, 2005

Sismo: ONU vai pedir ajuda recorde

Sismo: ONU vai pedir ajuda recorde


Vítimas podem ultrapassar as 100 mil

As Nações Unidas vão pedir um montante recorde aos países doadores para ajudar as vítimas do maremoto de domingo no Oceano Índico, declarou hoje um alto responsável da ONU.

O apelo que as Nações Unidas vão lançar progressivamente nos próximos dias deverá ultrapassar o montante de 1,6 mil milhões de dólares, pedido na Primavera de 2003 para ajudar na reconstrução do Iraque após a ofensiva norte-americana, indicou num encontro com a imprensa a coordenadora adjunta da ONU para os socorros de emergência, Yvette Stevens.

"Com as indicações de que dispomos actualmente, a situação poderá atingir um nível mais elevado do que vimos no passado", declarou no final de um encontro em Genebra entre países doadores e países devastados pelo maremoto de domingo, que causou pelo menos 55.000 mortos.

A ONU deverá lançar dentro de "dois ou três dias" um apelo de emergência, que será seguido, no início de Janeiro, por um "apelo consolidado", à medida que a extensão dos danos se clarifica, explicou Stevens.

Numa etapa posterior, a ONU pedirá igualmente fundos para ajudar à reconstrução das regiões sinistradas, porque "as infra- estruturas sofreram danos consideráveis", acrescentou.

Também a Federação Internacional da Cruz Vermelha pediu hoje uma ajuda de 44 milhões de dólares (32 milhões de euros) para as vítimas do maremoto.

"Trata-se da mais importante catástrofe nas últimas décadas e ainda não constatámos toda a sua amplitude", declarou Markku Niskala, secretário-geral da Federação em comunicado.

A Cruz Vermelha vai prestar apoio psicológico durante semanas, mesmo meses, aos sobreviventes traumatizados pela catástrofe. Material médico e medicamentos para cerca de 120.000 pessoas foram enviados para o Sri Lanka, indica o comunicado.

Um primeiro apelo para reunir fundos no montante de 7,5 milhões de francos suíços foi lançado domingo pela Cruz Vermelha e foi inteiramente coberto pelos doadores em menos de 12 horas, precisou a Federação.

Por seu lado, o director da Protecção Civil italiana, Guido Bertolaso, indicou que o balanço das vítimas deverá aumentar nos próximos dias, podendo ser superior a 100.000 mortos.

A Protecção Civil italiana está encarregada de coordenar todas as operações de socorro da União Europeia na região, precisou o chefe da diplomacia italiana, Gianfranco Fini.

O drama do sismo de domingo no sul e sudeste asiático e na costa oriental africana mostra a necessidade de criar uma "força europeia de intervenção civil", declarou hoje, em Colombo, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Michel Barnier.

"Uma força europeia de intervenção civil parece-me cada vez mais necessária", declarou à imprensa Barnier, que iniciou hoje uma visita de dois dias ao Sri Lanka e à Tailândia.

Para Barnier, "esta força seria dotada de um pequeno estado- maior com unidades nacionais em cada um dos países da União.

Desenvolveria acções de formação para poder agir com equipas prontas a partir de acordo com as competências de cada uma", acrescentou.

Entretanto, Gerhard Berz, perito da primeira seguradora mundial, Munich Ré, afirmou à cadeia de televisão pública alemã Deutsche Welle, que os danos materiais deverão ser superiores a 10 mil milhões de euros.

Por seu lado, um alto responsável da ONU, Jan England, secretário-geral adjunto para as questões humanitárias, tinha estimado anteriormente que "o custo da destruição se vai cifrar em milhares de milhões de dólares. Provavelmente muitos milhares de milhões de dólares".




Publicado por esta às janeiro 6, 2005 11:20 AM