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janeiro 06, 2005
Iuchtchenko pede aos apoiantes bloqueio de sede
Iuchtchenko pede aos apoiantes bloqueio de sede
Local onde o ainda primeiro-ministro Viktor Ianukovich tenciona participar num conselho de ministros
O presidente ucraniano eleito no domingo, Viktor Iuchtcheko, líder da oposição, pediu hoje aos seus apoiantes para bloquearem quarta-feira a sede do governo, onde o ainda primeiro-ministro Viktor Ianukovich tenciona participar num conselho de ministros.
"Apelo a todos para bloquearem o governo. Em que país do mundo seria possível um executivo destituído recusar-se a abandonar o poder?", perguntou Iuchtchenko a milhares de simpatizantes, concentrados na Praça da Independência de Kiev.
"Não se poderá realizar nenhuma reunião do executivo ilegítimo", frisou.
Ianukovitch, candidato presidencial pró-russo, recusa-se a reconhecer a vitória do seu rival e toma parte quarta-feira na primeira reunião governamental após três semanas de ausência devido à campanha eleitoral para a repetição da segunda volta das presidenciais.
Depois da anulação, por fraude, da segunda volta destas eleições, a 21 de Novembro, que deu a vitória a Ianukovitch - a primeira foi a 31 de Outubro e ganhou Iuchtchenko -, o parlamento aprovou a 01 de Dezembro uma moção de censura, nunca assinada pelo chefe de Estado cessante Leonid Kutchma.
Iuchtchenko convidou os simpatizantes a assistirem à cerimónia da sua investidura, a 10 de Janeiro de 2005 no Palácio da Independência onde, recordou, "os ucranianos lutaram - ultimamente - pela liberdade e democracia".
Esta data é porém incerta porque a Comissão Eleitoral Central ainda não anunciou os resultados oficiais da repetição da segunda volta das presidenciais, em que Ianukovitch obteve apenas 44,19 por cento dos sufrágios, contra 51,99 de Iuchtchenko.
Iaroslav Davidovitch, presidente da Comissão Eleitoral Central, justificou que numerosas queixas por fraude da oposição foram apresentadas pelos seguidores de Ianukovicth, implicando a recontagem de todos os boletins de voto.
Davidovitch insurgiu-se contra o que classificou de "manobra política" do candidato perdedor e recordou os tempos de domínio soviético porque a Comissão Eleitoral Central recebeu 200 telegramas, a intervalos de um minuto, com o mesmo texto mas assinados com nomes diferentes.
Ianukovitch garante que a Constituição da Ucrânia foi violada e, se entretanto não recorrer ao Supremo Tribunal, sempre poderá contestar os resultados do plebiscito presidencial quando foram publicados.
Todavia, tem contra si até o próprio vice-primeiro-ministro, Mykola Azarov, que considerou "democráticas" as eleições.
O ministro dos Negócios Estrangeiros chegou ao ponto de agradecer à comunidade internacional os esforços em prol da "transparência" do acto, apesar da posição contrária de observadores da Comunidade de Estados Independentes (CEI), dirigida por Moscovo.
Na Haia, a presidência holandesa da União Europeia (UE), em funções até ao dia 31, instou hoje os ucranianos a "fazerem o possível para manterem a coesão interna" do país, continuando a "trabalhar de modo construtivo com os vizinhos - numa alusão à Rússia - e em prol da consolidação da confiança" no novo regime.
O primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, regozijou- se com os resultados do escrutínio de domingo e precisou que a UE espera um "tratamento adequado" das queixas apresentadas por Ianukovitch.
Balkenende conclui sublinhando ser do "interesse comum" uma Sestreita colaboração futura" entre os 25 e a Ucrânia.
Em Estrasburgo, França, o presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Peter Schieder, defendeu que os ucranianos "tomaram uma decisão clara" e devem "estar unidos ao lado do presidente" Iuchctcheko.
Schieder adiantou que convidará Iuchctehcko a estar presente na próxima sessão plenária da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em Janeiro de 2005.
A concluir, motivou os ucranianos para enfrentarem os "desafios" do país no plano das reformas e da modernização.
Publicado por esta às janeiro 6, 2005 11:22 AM