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dezembro 02, 2004

União Europeia Substitui NATO na Bósnia

Fonte: Público

A União Europeia (UE) envolve-se a partir de hoje na mais importante operação da sua jovem história militar, ao substituir a NATO na chefia da força multinacional de estabilização na Bósnia-Herzegovina, nove anos após o final de um violento conflito inter-étnico que acabou por ser mediado pelos Estados Unidos.
A passagem do testemunho será formalizada numa cerimónia marcada para hoje no "campo Butmir", o quartel-general em Sarajevo das forças da NATO e a partir de hoje da UE, na presença do Alto Representante para a política externa da União, Javier Solana, e do secretário-geral da Aliança, Jaap de Hoop Scheffer. Trata-se da terceira operação militar da UE, após as missões concretizadas na vizinha Macedónia, outra ex-república jugoslava, e na República Democrática do Congo.
A nova força europeia (Eufor) que integra 7.000 soldados terá a responsabilidade de garantir a segurança na Bósnia, um país na prática dividido em três entidades distintas, incluindo no interior da Federação croato-muçulmana, e minado pela corrupção, o crime organizado e a persistência dos ódios interétnicos. A Bósnia permanece um semi-protectorado internacional, e o seu alto representante civil, o britânico Paddy Ashdown, mantém poderes executivos e legislativos que superam as atribuições das instâncias eleitas localmente.
Mais de 30 países, onde se incluem 22 da UE, contribuem para a nova missão "Althea", comandada no terreno pelo general britânico David Leakey, e com o Reino Unido a assumir a centralização da nova força. Um novo desafio para a política comunitária de Segurança e Defesa (Pesd) e que poderá perspectivar novos compromissos para os próximos anos, designadamente no Kosovo, como têm sugerido diversos responsáveis europeus. O director-geral adjunto para a Pesd, Peter Feith, admitiu à AFP uma presença no terreno durante pelo menos mais três anos.
Apesar desta transferência de poderes, a NATO não abandona em definitivo a Bósnia e vai manter uma presença reduzida em Sarajevo, e em conjunto com as forças da "Althea" continuar a perseguição dos suspeitos por crimes de guerra acusados pelo Tribunal Penal Internacional de Haia para a ex-Jugoslávia (TPIJ). Os Estados Unidos também vão manter um pequeno contingente em Tuzla (Nordeste) e na missão da NATO em Sarajevo.
Del Ponte quer reforço de cooperação
Neste contexto, a cerimónia de hoje também vai contar com a presença da procuradora-geral do TPIJ, Carla del Ponte, que pretende solicitar pessoalmente à nova força europeia uma multiplicação de esforços para prender os indiciados pela instância "ad hoc" da ONU, designadamente os ex-líderes político e militar dos sérvios bósnios, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, acusados de genocídio.
Na sua visita de dois dias, Del Ponte tem previsto um encontro com o general Leakey, no qual "vai propor uma estreita cooperação entre as forças internacionais no terreno e reclamar a colaboração das autoridades locais [sérvias bósnias] para pôr termo a esta questão", que se prolonga há nove anos, como precisou a sua porta-voz, Florence Hartmann.
Para as potências internacionais envolvidas na região, a detenção dos suspeitos incumbe às autoridades da Bósnia-Herzegovina, mas a ausência de cooperação da Republika Srpska (RS, e entidade sérvia bósnia) tem sido frequentemente denunciada. Ainda na noite de terça-feira, o director da polícia sérvia bósnia apresentou a sua demissão, exigida pelo ministro do Interior da RS, devido à sua alegada responsabilidade pela ausência de cooperação com a instância "ad hoc" da ONU.

Publicado por esta às dezembro 2, 2004 10:24 AM