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dezembro 20, 2004

Turquia desapontada com propostas dos líderes europeus

Fonte:TSF
A Turquia está insatisfeita com o acordo a que chegaram os chefes de Estado e Governo da União Europeia. Os 25 optaram pela data de 3 de Outubro do próximo ano para o início das negociações para a adesão de Ancara ao clube de Bruxelas.

No projecto de conclusões da cimeira, que decorre esta quinta e sexta-feira, em Bruxelas, refere-se que é preciso que a Turquia reconheça o Chipre. Perante este cenário o primeiro-ministro turco confessa-se desapontado.
«O sentimento é um sentimento de decepção», declarou um diplomata que pediu o anonimato, adiantando que «há poucas hipóteses» de chegar a um acordo sobre o actual projecto de texto.
O protocolo «não parece ser um documento que possa ser assinado», continuou este diplomata, aludindo a outro ponto expresso pelos líderes europeus: o de ver a Turquia assinar um documento que alarga o acordo de Ancara aos 25 Estados-membros, incluindo o Chipre.
Numa declaração em anexo às conclusões da cimeira está prevista uma fórmula consensual através da qual a Turquia terá que reconhecer de facto a República do Chipre.
A ilha está divida em dois, a parte sul, membro da União Europeia e a parte nordeste ocupada pelos turcos desde 1974.
O projecto de conclusões está a ser discutido, esta manhã, pelos líderes dos 25 e a presidência holandesa está em contacto com o primeiro-ministro turco, mas até agora não há qualquer reacção oficial de Recep Tayyip Erdogan.
O reconhecimento do Chipre não é uma condição obrigatória para a abertura das negociações, mas é visto como um gesto de boa vontade. Resta saber se os dirigentes de Ancara aceitam.
A Turquia faz aumentar a pressão, demonstrando-se desapontada, referindo que é difícil convencer a opinião pública turca do reconhecimento da República do Chipre.
O projecto refere que o início das negociações tem como objectivo a entrada da Turquia na União Europeia, mas refere que este é um processo negocial aberto, cuja a adesão não está garantida.
João Simões Dias, professor de Direito Comunitário na Universidade Internacional, já adivinhava que não fosse fácil chegar a um compromisso com a Turquia e critica os líderes europeus por não terem procurado uma situação intermédia.
«Os líderes europeus caíram numa situação extrema, de alargarmento ou não alargamento, haverá situações intermédias que não devem ser desprezadas e que podem ser uma alternativa à adesão», afirmou.

Publicado por esta às dezembro 20, 2004 06:07 PM