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dezembro 09, 2004
Europa deve investir na economia do conhecimento
[Fonte: Jornal de Notícias]
Os europeus devem reagir com "ambição e realismo" à concorrência feita pelas universidades americanas para poderem entrar na economia do conhecimento. Esta foi uma das conclusões do relatório sobre o Ensino Superior na Europa, organizado por uma delegação da Assembleia Nacional francesa, em Novembro último. O objectivo deve ser o de privilegiar o impulso e a experimentação. De um modo progressivo, "passo a passo, mas com determinação, entusiasmo e convicção".
A referida delegação procurou conhecer a fundo a origem e os objectivos do Processo de Bolonha, as oportunidades que se avizinham para a França, em particular, e para os restantes países europeus, em geral, e a urgência de uma resposta europeia face à atracção das universidades americanas.
Depois de questionar cerca de 130 personalidades, a delegação concluiu que a criação de um Espaço Europeu de Ensino Superior constitui "incontestavelmente uma alavanca de reforma sem precedente, que deve estimular à modernização das nossas estruturas de Ensino Superior".
Depois de olhar "para dentro" e de reconhecer que a França leva um avanço em relação aos restantes países aderentes, a delegação procurou conhecer as diferenças que afastam as instituições europeias do seu feroz concorrente o Ensino Superior americano.
"Quer se trate da quantidade de diplomados, do número de investigadores, da classificação das universidades, do número de galardoados com o Prémio Nobel ou de citações em grandes revistas científicas, a sociedade europeia do conhecimento continua na cauda em relação aos Estados Unidos", refere o documento.
Investir mais
A prova de que os americanos investem duas vezes mais do que a União Europeia o faz nas suas universidades está nos números enquanto o investimento americano corresponde a 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto), o europeu fica pelos 1,3%.
Este afastamento, tal como é justificado, deve-se ao fraco investimento privado no Ensino Superior 0,2% do PIB europeu, contra 0.6% no Japão e 1,2% nos EUA.
Por outro lado, a mobilidade de estudantes e professores - um dos objectivos essenciais do Processo de Bolonha - é igualmente insuficiente no caso europeu. O relatório refere que o programa Erasmus, apesar do sucesso, beneficia apenas 2% dos estudantes. Acresce ainda que o baixo montante das bolsas nem sempre permite aos menos favorecidos economicamente ir estudar para o estrangeiro.
Meios de financiamento
No que se refere ao financiamento, as universidades americanas prestigiadas não encontram dificuldades em se financiar. A variedade de meios não tem comparação com o que acontece com as instituições europeias.
O relatório refere os valores elevados cobrados aos estudantes. No entanto, salienta também o facto de o sistema de bolsas e de empréstimos estar muito mais desenvolvido do que na Europa, já que 70% dos estudantes beneficiam de um dos dois esquemas.
O relatório da delegação da Assembleia Nacional francesa aponta, ainda, toda uma série de vantagens que tornam o Ensino Superior americano muito atractivo para os estudantes de todas as partes do Mundo. A listagem começa com a relação estabelecida entre professores e alunos. Os docentes têm, todas as semanas, horas de atendimento ("office hours"), durante as quais estão à disposição dos alunos.
Outro motivo de atracção são os equipamentos colocados à disposição dos estudantes bibliotecas abertas sete dias na semana e, por vezes, 24 horas por dia, equipamento informático generalizado, infra-estruturas desportivas e culturais.
"As universidades são verdadeiras cidades. Por exemplo, o estádio de Berkeley pode acolher 80 mil pessoas, tantas como o estádio de França", salienta o relatório.
No que se refere à vida cultural e desportiva, existe nas instituições americanas uma verdadeira vida de "campus", com a edição de jornais e manifestações culturais e desportivas. A organização de competições desportivas interuniversitárias faz parte integrante da vida dos "campus".
O relatório realça, ainda, a importância do investimento do governo federal no financiamento da investigação universitária, independentemente do estatuto público ou privado das instituições de Ensino Superior.
Universidades europeias devem aumentar a procura
Apesar da heterogeneidade das instituições, as universidades europeias enfrentam desafios similares aumentar a procura de formação superior, internacionalização da educação e da investigação e a necessidade de abertura ao "mundo real". Para atingir esses objectivos, o relatório da Assembleia Nacional francesa aponta três áreas de acção prioritária. Por um lado, é sugerida a diversificação das receitas das instituições como forma de aumentar o financiamento. Por outro lado, defende-se a criação de condições de excelência. Depois de um período de massificação, agora a aposta deve ser feita na qualidade. Por fim, abrir mais as universidades ao seu meio envolvente, deixando a torre de marfim para entrar numa torre de vigia, reforçando os laços com o mundo empresarial e ampliando a difusão do conhecimento e tecnologia.
Publicado por esta às dezembro 9, 2004 03:14 PM