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dezembro 15, 2004

As críticas de Durão

Fonte: Primeiro de Janeiro

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, criticou os executivos comunitários precedentes por actuarem sem levar em conta uma “verdadeira parceria” com o Parlamento e o Conselho Europeu, para além de definir a economia, a segurança e o papel da EU como prioridades.

“As comissões precedentes apresentaram as suas visões que nem sempre representavam a expressão de uma verdadeira parceira” com as duas instituições, afirmou no hemiciclo de Estrasburgo, na apresentação das prioridades para os cinco anos de legislatura. “O resultado prático foi que nós estávamos a conduzir a Europa sem uma rota suficientemente clara”, acrescentou.
Como consequência – explicou ainda –, “a trajectória europeia foi por vezes desviada por acontecimentos internacionais exógenos” e as prioridades “alteraram-se demasiado” de acordo com os calendários políticos dos diferentes presidentes. “Temos o dever de fazer o nosso melhor para fixar as prioridades a longo termo para o conjunto da União”, acrescentou. Por isso, Barroso aposta numa “coordenação” que envolva as três instituições, com “objectivos conjuntos”.
Durão Barroso definiu as prioridades para os cinco anos de legislatura, baseadas numa economia “forte e dinâmica”, segurança dos cidadãos e valores da democracia e liberdade.
Numa intervenção perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o ex-primeiro-ministro português adiantou as linhas gerais da política comunitária até 2009, que serão alvo de propostas de resolução a aprovar amanhã, e que estarão na base do programa de trabalho a apresentar a 26 de Janeiro na sessão plenária de Bruxelas.

Ligar a Europa aos cidadãos
Para Durão Barroso, o primeiro passo é “ligar a Europa aos cidadãos e ganhar a sua confiança, providenciando as respostas às suas preocupações”. Por isso, a primeira prioridade é “uma economia forte, estável e dinâmica” para criar mais oportunidade, mais empregos, com base na Estratégia de Lisboa, que visa torna a Europa na economia mais competitiva do Mundo em 2010, baseada no conhecimento, que será “o centro da estratégia”. “A única maneira de responder às preocupações dos cidadãos, como os sistemas de pensão e de saúde, é gerar os recursos necessários para esse fim e, consequentemente, assegurar o crescimento económico”, acrescentou.
O presidente da Comissão Europeia lançou ainda guerra ao terrorismo, de forma a garantir a segurança dos cidadãos europeus, prometendo iniciativas da Comissão nesse sentido, que passam no entanto por mais recursos financeiros ao nível nacional e europeu e um melhor funcionamento do mercado interno.
Por fim, Durão Barroso clamou pela aplicação dos valores da democracia, liberdade e respeito pelos direitos humanos, cabendo a Bruxelas a “responsabilidade de promovê-los no Mundo”, nomeadamente com os países vizinhos e com os as regiões mais pobres, particularmente África, preparando-se, ao mesmo tempo, para receber novos Estados-membros. “Os nossos objectivos estratégicos conjuntos devem servir de sistema global de navegação da Europa para os cinco anos que vêm, estabelecendo uma agenda ambiciosa para o futuro da Europa”. Estas são as linhas gerais daquela que será a actuação do ex-primeiro-ministro português, que ouviu de seguida as propostas dos principais grupos políticos do PE para elaborar o programa final da Comissão.

Publicado por esta às dezembro 15, 2004 02:30 PM