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dezembro 20, 2004
Alterações climáticas sem negociações formais
Alterações climáticas sem negociações formais
Cimeira de Buenos Aires terminou apenas com acordo para encontros informais
A Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas terminou hoje em Buenos Aires com um acordo para contactos informais na luta contra o aquecimento global, depois de os EUA recusarem negociações concretas sobre o controlo das emissões poluentes.
O principal objectivo das negociações na capital argentina era iniciar a discussão sobre o segundo período do Protocolo de Quioto (a partir de 2012), o acordo global para reduzir as emissões poluentes responsáveis pelo sobreaquecimento do planeta, que entrará em vigor a 16 de Fevereiro do próximo ano sem a assinatura dos Estados Unidos.
A polémica proposta da Argentina, apoiada pela União Europeia, para realizar no próximo ano um seminário que permitisse avanços na luta contra o aquecimento global a longo prazo foi finalmente aceite pelos Estados Unidos e alguns dos países árabes produtores de petróleo, mas a reunião terá apenas um carácter consultivo e de troca de informações, tendo ficado expresso no documento final que não será uma plataforma de negociação.
No seminário, que se realizará em Maio, em Bona, delegados governamentais analisarão as diferentes medidas que os países aplicam para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e estudarão actuações possíveis para ajudar as nações em desenvolvimento a adaptarem-se a este fenómeno.
Quando a Argentina formulou a proposta, o seminário era encarado como um primeiro patamar para delinear acções para depois de 2012, quando termina o período de compromissos sobre limites de emissão de gases poluentes previstos pelo protocolo de Quioto.
Perante a recusa de alguns países em negociar "o futuro", a Argentina recuou na sua proposta, que acabou por ser resumida a uma mera troca de informações, embora "os peritos governamentais tenham liberdade para expressar as suas propostas de acção a longo prazo", segundo explicou aos jornalistas o chefe da delegação argentina à conferencia, Raul Estrada Oyela.
Estrada Oyela disse estar convencido de que os Estados Unidos nunca ratificarão o protocolo de Quioto, embora tenha valorizado o facto de Washington ter aceitado participar "num exercício de troca de informação", observando ainda que este país está a tomar medidas para reduzir a suas emissões poluentes.
Outro ponto controverso na Conferência de Buenos Aires era a adaptação ao impacto das mudanças climáticas, especialmente por parte dos países mais pobres, no âmbito do qual foi acordado destacar a recolha de informação e a formulação de modelos de previsão meteorológicos, a análise da vulnerabilidade e o cálculo dos custos do impacto da mudança climática nestas nações.
Neste ponto, os países produtores de petróleo exigiram o reconhecimento de que um futuro compromisso de redução de emissões de gases com efeito de estufa suporá a diversificação das suas economias baseadas actualmente nos combustíveis fósseis, para que não percam competitividade.
"Os países produtores de petróleo não querem dinheiro para fazer a sua adaptação económica, mas apenas que se reconheça como princípio a possibilidade de que estas medidas os afectem no futuro", explicou Estrada Oyuela.
O negociador argentino assinalou que este princípio já foi reconhecido na Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas e pelo protocolo de Quioto, e que a resposta está em "estimular a diversificação económica".
Na X Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em que participaram mais de 2.200 delegados de 178 países, entre os quais Portugal, não foram determinadas metas vinculativas de redução de emissões poluentes após o protocolo de Quioto, que obriga apenas os países que já o ratificaram ao auto-controlo das suas emissões.
Publicado por esta às dezembro 20, 2004 08:36 PM