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dezembro 16, 2004
Adesão turca ameaça dividir cimeira da UE
[fonte: jornal de noticias]
Os chefes de Estado ou de Governo da União Europeia, que se reúnem hoje e amanhã em Bruxelas, deverão chegar a acordo sobre o lançamento de negociações de adesão com a Turquia no segundo semestre de 2005. Mas os líderes partem para a Cimeira divididos sobre o alcance e conteúdo do complexo e moroso do processo negocial.
Alguns estados, como a França, a Áustria e Chipre, querem que fique consagrada a possibilidade de as duas partes acertarem, em caso de colapso das negociações, uma forma de "parceria" alternativa à adesão da Turquia. Outros membros dos 25, mais pró-turcos, pretendem evitar que os futuros acordos de adesão sejam limitados por cláusulas de salvaguarda e outras restrições.
Cansada de esperar, há décadas, a Turquia reiterou, nos últimos dias, oposição a qualquer outro resultado das negociações que não seja a adesão, reivindicando um tratamento idêntico ao que foi dado aos novos aderentes e aos que estão em vias de aderir. E rejeita novo condicionalismo político. É neste domínio, que se insere a ameaça velada de Chipre de vetar a adesão turca caso Ancara não reveja a sua política para a ilha, cujo topo norte ocupou.
Uma coisa é certa as características demográficas, geográficas, económicas e políticas (além das culturais e religiosas) deste país candidato tão diferente dos outros, farão com que as negociações se prolonguem por, pelo menos dez anos. A UE também não ignora que a adesão turca terá um impacte não negligenciável nas principais políticas comunitárias, com destaque para a agrícola e para a regional.
A Turquia conta com o apoio da Comissão Europeia, a qual não considera necessário impôr novas condições, além das já recomendadas em Outubro.
Dividido, e apesar de o seu parecer não ser vinculativo, o Parlamento Europeu pronunciou-se, ontem, a favor das negociações euro-turcas.
Também a Croácia deverá receber "luz verde" para começar a negociar, no próximo ano, a sua adesão. Roménia e a Bulgária só aguardam que a Cimeira marque a data para o fecho das negociações.
Esta Cimeira tem ainda a peculiaridade de ser a primeira de Durão Barroso enquanto presidente da Comissão e a última a que assiste Santana Lopes.
Publicado por esta às dezembro 16, 2004 09:47 AM