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novembro 11, 2004
«Visão clara da Europa no Mundo», diz Sampaio
«Visão clara da Europa no Mundo», diz Sampaio
Considera haver "contexto favorável" ao reforço da afirmação da UE na cena internacional
Por João Luís Gomes (Lusa)
O Presidente da República, Jorge Sampaio, considerou hoje, em Roma, existir um "contexto favorável" ao reforço da afirmação da União Europeia na cena internacional, faltando, porém, "uma visão clara" do papel pretendido para a Europa no mundo.
Falando na Câmara dos Deputados, numa conferência sobre "A Europa em movimento: novas relações de vizinhança - Questões e Desafios", Jorge Sampaio avisou, também, que "sem uma visão estratégica nenhum projecto é sustentável a longo prazo" e que "não é no Tratado Constitucional que se poderá procurar uma solução".
Jorge Sampaio justificou que, nesta matéria, "toda a ambiguidade acerca do estatuto da Política Externa da União" foi mantida no Tratado Constitucional, assinado em Roma a 29 de Outubro.
Segundo Jorge Sampaio, também "não se pode contar com uma mágica e inesperada fusão de interesses entre os Estados-membros, nem tão pouco com uma coincidência absoluta de posicionamentos e abordagens".
Assim, referiu, é imperioso "apostar no reforço indispensável da vontade política" e encontrar apoio na definição de "um conceito estratégico da União", afirmando na cena internacional "uma identidade política europeia" baseada nos valores da paz, democracia, respeito pelos Direitos Humanos e prioridade a uma economia social de mercado e ao desenvolvimento sustentado.
Para Jorge Sampaio, que hoje cumpriu o seu segundo dia de visita de Estado a Itália, aqueles são os valores "que a União deverá promover a nível externo, não só como actor legítimo e eficaz da mundialização, mas também como interlocutor com peso na ordem internacional".
Por outro lado, o Chefe de Estado português advogou que a União Europeia também deve "investir" numa "activa participação na renovação da ordem internacional", tendo em conta que esta atravessa "uma fase de recomposição", na sequência do fim da guerra fria, do desmoronamento da União Soviética e da emergência de um novo terrorismo internacional.
"Cabe à União Europeia um papel insubstituível na definição de uma nova matriz da ordem internacional", tendo condições para se afirmar "como catalizador da renovação", disse Jorge Sampaio.
Sublinhando "a importância ímpar das relações transatlânticas", Sampaio considerou que os Estados Unidos são "um aliado inestimável da Europa no quadro da Aliança Atlântica" e "um parceiro incontornável" na cooperação internacional, avisando, no entanto, que este quadro de parceria privilegiada "não significa coincidência necessária de todos os pontos de vista, nem partilha total de interesses e valores".
"O importante, a meu ver, é que tudo se passe no quadro de uma escrupulosa aplicação dos princípios de legalidade internacional, na base do diálogo, do respeito mútuo e da concertação", afirmou.
Na sua intervenção, o Presidente da República sublinhou a importância da "unidade, solidariedade e coesão" entre os Estados-membros da União Europeia, mas também desta perante o resto do mundo e apontou a relevância da "definição de uma nova política de vizinhança".
Para Sampaio, "esta nova política de vizinhança assenta numa visão ambiciosa da Europa, que faz jus à sua vocação universalista", devendo ser desenvolvido "um novo tipo de relacionamento, baseado em parcerias com países que, embora fronteiriços, não estão vocacionados a aderir à União".
Neste capítulo, considerou que seria "um grave erro estratégico descurar as relações com o Mediterrâneo", dando expressão "a uma solidariedade multifacetada e sempre renovada nesta vasta área, sob pena de se sustentarem frustrações compreensíveis, de se atiçarem focos de tensões e conflitos e de se afectar a credibilidade externa da União".
Publicado por esta às novembro 11, 2004 12:15 PM