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novembro 29, 2004
União vai doar 51 milhões a Darfur
Fonte: Primeiro de Janeiro
A União Europeia disponibilizou ontem 51 milhões de euros para a ajuda humanitária ao Sudão e para evitar o agravamento da crise alimentar que se vive na região do Darfur, em conflito há quase dois anos e que já provocou 70 mil mortos e quase 1,5 milhões de deslocados.
O anúncio desta ajuda foi feito pelo Comissário para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, o belga Louis Michel, na capital sudanesa, Cartum, depois de ter visitado no passado sábado a região conturbada de Darfur. Num comunicado divulgado em Bruxelas, o comissário apelou a “todos os grupos armados” para acabarem com os ataques a civis e para que “permitam aos trabalhadores humanitários desempenharem a sua difícil e vital missão da forma mais segura possível”. “Já é tempo de as várias promessas de paz feitas até ao momento serem respeitadas, de uma vez por todas”, afirmou.
Do total da verba, cerca de 10 milhões de euros serão gastos em “distribuição alimentar maciça” a refugiados nas zonas mais remotas de Darfur por parte do Programa Alimentar Mundial (PAM). “Como eles [refugiados] não puderam cultivar por estarem deslocados e devido à insegurança, prevê-se um agravamento na crise alimentar”, acrescenta o comissário.
Outros 21 milhões de euros serão gastos em áreas como a nutrição, protecção e cuidados aos grupos mais vulneráveis, abrigos e bens essenciais, como roupa e utensílios de cozinha, água potável e serviços sanitários básicos. Segundo a mesma fonte, serão ainda gastos “fundos consideráveis” no sul do Sudão, onde mediadores internacionais estão a tentar acabar com uma guerra civil que dura há já 21 anos. O conflito em Darfur começou em Fevereiro de 2003 quando dois grupos rebeldes pegaram em armas para exigirem ao governo de Cartum mais meios para a região. Desde então, morreram cerca de 70 mil pessoas e quase 1,5 milhões estão deslocadas, das quais 200 mil refugiaram-se no vizinho Chade, estimativas que levaram já as Nações Unidas a considerar a situação em Darfur como a pior crise humanitária no mundo. Na semana passada, o conflito entre as forças governamentais, apoiadas pelas milícias árabes Janjawid, e os rebeldes levou as agências humanitárias a suspender as operações na região, deixando cerca de 300 mil pessoas sem qualquer tipo de ajuda.
O governador do Estado de Darfur Norte, Osman Yussef Kebir, convidou representantes dos grupos rebeldes, da União Africana e da União Europeia para uma reunião, em El Fasher, capital daquele Estado, para levantar formalmente as restrições de viajar a trabalhadores humanitários. Barry Came, um representante do PAM em Cartum, congratulou-se com esta medida, mas considerou-a insuficiente para garantir a segurança do pessoal das agências humanitárias.
Esta nova verba eleva para 215 milhões de euros a ajuda concedida este ano pela Europa às vítimas da crise em Darfur.
Publicado por esta às novembro 29, 2004 06:05 PM