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novembro 14, 2004
Terrorismo: cooperação na UE permitiu 15 detenções
Terrorismo: cooperação na UE permitiu 15 detenções
Indivíduos preparavam atentados no Iraque
A cooperação na luta contra o terrorismo permitiu deter recentemente, em três países europeus, 15 indivíduos "arregimentados" para cometerem atentados no Iraque, disse hoje, em Madrid, o comissário europeu da Justiça e Assuntos Internos, António Vitorino.
"O recrutamento (...) é feito de muitas formas diferentes e, sabemos agora, faz-se também dentro dos países da União Europeia", afirmou António Vitorino, orador principal num debate sobre "Democracias em Perigo" realizado no âmbito da III Assembleia Geral do Club de Madrid.
Sem especificar os países europeus em causa, António Vitorino referiu que as detenções de 15 indivíduos "arregimentados para irem cometer atentados no Iraque" ocorreram há cerca de dois meses.
António Vitorino destacou ainda que no espaço de um ano e meio, após os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, foram detidos cerca de 700 suspeitos de envolvimento ou preparação de actos terroristas nos países da União Europeia (UE).
Muitas destas detenções, frisou, são fruto da cooperação e troca de informações entre Estados.
Vitorino referiu ainda o conhecimento "da realidade das redes terroristas radicais de cariz fundamentalista" e das "motivações individuais" como uma necessidade absoluta na luta conta o terrorismo.
A dificuldade, salientou, está em encontrar um equilíbrio entre aumentar a segurança, nomeadamente com troca de informações, e garantir a liberdade dos cidadãos.
"Esta é também uma prioridade da UE", acrescentou.
Os ex-primeiros-ministros portugueses António Guterres e Cavaco Silva, que participaram no debate no Club de Madrid, concordaram que o terrorismo é uma ameaça para as democracias, como defendeu António Vitorino.
Em declarações aos jornalistas, António Guterres apoiou a afirmação de Vitorino de que "o terrorismo tem de ser qualificado como crime" e destacou "o grande esforço de preparação e combate que tem havido na Europa".
Cavaco Silva, por seu turno, insistiu que o terrorismo é uma ameaça global e "não se consegue combater sem cooperação".
"Os próprios Estados Unidos não conseguem fazê-lo", sublinhou.
Neste contexto, Cavaco Silva manifestou o desejo de que "possa haver um melhor diálogo transatlântico" e que no "novo mandato do presidente Bush, a administração norte-americana seja mais aberta ao multilateralismo".
Assistiram ao debate muitos dos ex-chefes de Estado e de Governo que integram o Club de Madrid, como o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso.
A III Assembleia Geral do Club de Madrid decorre até sábado na capital espanhola.
Publicado por esta às novembro 14, 2004 09:23 PM