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novembro 17, 2004

Sonda Europeia Smart-1 Entrou Finalmente na Órbita da Lua

Fonte: Público

A sonda europeia Smart-1 já entrou na órbita da Lua, depois de mais um ano de viagem. Tem como missão cartografar a topografia e esmiuçar a composição mineral do satélite natural da Terra. Lançada em Setembro de 2003, pelo foguetão Ariane 5, a partir de Kourou, na Guiana Francesa, esta é a primeira missão espacial da Europa a alcançar a Lua.

Na madrugada de segunda para terça-feira, a Smart-1 accionou os motores para se inserir na órbita lunar. Segundo um comunicado da Agência Espacial Europeia (ESA), a sonda encontra-se agora a cerca de 5000 quilómetros da Lua - mas esta distância sofrerá várias alterações nos próximos dias; os motores serão usados para fazer várias manobras de arranques curtos, e a sonda dará até várias voltas à Lua, fazendo "loops" que a trarão para uma órbita cada vez mais baixa. Em Janeiro, deverá atingir uma órbita que distará 300 quilómetros do Pólo Sul e 3000 quilómetros do Pólo Norte do satélite. Será então que começará a fazer observações científicas.

Mas o objectivo da parte inicial desta missão da ESA era testar o motor iónico da sonda, utilizado como seu propulsor principal. A viagem não foi feita em linha recta, mas em espiral, ganhando impulso a partir do campo gravítico da Terra e da Lua. Por isso prolongou-se por 84 mil quilómetros, o que é uma distância equivalente às que será necessário percorrer em viagens interplanetárias.

A forma de propulsão utilizada designa-se por solar-eléctrica, pois o motor não queima combustível, como os motores normais, antes converte a luz solar em energia eléctrica através de painéis solares. Esta energia serve como fonte de electrões para carregar electricamente os átomos de um gás, normalmente xénon, que impulsionam a sonda.

A vantagem desta nova forma de propulsão está na durabilidade: ao contrário dos motores químicos, que queimam o combustível em minutos, os motores iónicos funcionam durante meses ou anos, desde que o Sol brilhe e os painéis solares continuem a fornecer energia. Mas, quando tal não acontece, por exemplo em zonas onde a luz solar seja fraca, será necessário usar outra fonte de energia, como um gerador nuclear.

A Smart-1 começará a recolher informações em Janeiro, utilizando tal um espectrómetro de raios-X, denominado D-Cixs, que vai reunir informações sobre a composição da superfície lunar.

Os dados recolhidos poderão ajudar os cientistas a determinar a origem da Lua. "Acreditamos que a Lua seja filha da Terra, e que tenha nascido há 4500 mil milhões de anos, quando um meteorito do tamanho de Marte chocou com o planeta, quando este estava em formação", afirmou Bernard Foing, cientista da ESA. "Este fenómeno terá posto em órbita da Terra um manto de partículas, que se condensaram para formar a Lua."

O estudo da origem do satélite natural da Terra poderá também ajudar a entender melhor a composição da Terra nos seus primórdios. Um dos objectivos do D-Cixs é estudar a composição das rochas da maior cratera da Lua - formada por impactos de meteoritos - analisando assim as suas profundezas.

"Há uma cratera chamada Pico da Luz Eterna, perto do Pólo Sul, que é particularmente interessante", disse Foing. A sonda vai observar esta região da Lua, que os cientistas acreditam receber permanentemente a luz do Sol, e onde poderá ser possível a implantação de bases lunares habitadas.

Se tudo correr como o previsto, a Smart-1 abre caminho para futuras missões de longa duração no interior do sistema solar, pois muita da tecnologia utilizada nesta sonda, em particular os sistemas de comunicação, navegação e propulsão, poderá ser usada na próxima geração de sondas europeias.

Publicado por esta às novembro 17, 2004 08:50 AM