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novembro 10, 2004

Sampaio apela à ratificação do Tratado Constitucional

[Fonte: Jornal de Notícias]
Visita No primeiro dia em Itália, presidente português considerou imperioso restabelecer-se laços euro-atlânticos Carlo Ciampi recordou metas não cumpridas da Estratégia de Lisboa

Muita chuva, frio e pompa protocolar marcaram o primeiro dia da visita de Estado do presidente da República a Itália. Com uma agenda apertada de encontros - de manhã, com o seu homólogo, Carlo Ciampi, à tarde, com os presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados e da Câmara Municipal de Roma -, Jorge Sampaio repetiu, até à noite, num jantar oferecido em sua honra pelo presidente italiano, dois fortes apelos: um pela ratificação da Constituição europeia, o outro para que o processo seja rápido. Afinal, e como frisou, estava em Roma. Cidade cosmopolita desde a Antiguidade, um dos centros da História e Cultura da Humanidade e onde, há 11 dias, os 25 chefes de Governo da União Europeia alargada assinaram o Tratado Constitucional. "Cada vez mais somos uma família e cada vez mais os interesses nacionais são indissociáveis dos europeus", retorquiu.

"Aqueles que acreditam na Europa devem empenhar-se a fundo no processo de ratificação deste tratado, que representa para a União Europeia um passo em frente", afirmou, à noite.

Foi, aliás, precisamente no banquete, no Palácio Quirinale, que o presidente português enumerou as muitas vantagens do texto da Constituição. Referindo apenas alguns exemplos, Sampaio sublinhou que o tratado "condensa o essencial do acervo comunitário, tendo o mérito de o tornar mais claro e mobilizador para todos os europeus", "trata-se de uma contribuição fundamental para aproximar a Europa dos cidadãos", e "introduz importantes inovações no domínio dos direitos económicos e sociais".

Desafios

"A Europa, depois do tratado, tem pela frente grandes desafios", defendeu, especificando três. "Um mais imediato será convencer todos que o tratado é a via indispensável à coesão e crescimento", depois "fazer um alargamento com sucesso", por último, a Europa terá que demonstrar a sua capacidade de presença na escala internacional e, para isso, frisou, é imperioso restabelecer-se os laços euro-atlânticos.

Também numa entrevista publicada ontem, no jornal italiano "Corrieri della Sena", o chefe de Estado argumentou que a relação transatlântica tem de melhorar. E questionado sobre se a nova Comissão Europeia nasceu enfraquecida por causa do caso Rocco Buttiglioni, sublinhou que, "felizmente, não existe um pensamento único". Depois, acrescentou que o problema "é a adequação de um indivíduo ao cargo para o qual é proposto".

Estratégia de Lisboa

O dia de ontem também ficou marcado pelas referências de Carlo Ciampi à Estratégia de Lisboa. O presidente italiano criticou a falta de uma política comum económica após a adesão ao euro, e relembrou que as metas traçadas há quatro anos para tornar a Europa na zona mais competitiva do Mundo ainda estão por cumprir.

"Basta que cada um adopte para a União Europeia seguir o caminho", referiu, manifestando a convicção de só esses objectivos garantirão o "relacionamento estreito entre estabilidade e crescimento".

Europeístas convictos, a cumplicidade entre os dois chefes de Estado é uma tónica menos protocolar que marcará toda a visita. Recorde-se que, finda a deslocação oficial, Sampaio passará um fim-de-semana em Nápoles, a convite de Carlo Ciampi.

Após um encontro que durou quase uma hora, o presidente italiano sublinhou a "extraordinária concordância na maneira de ambos sentirem os temas europeus". Partindo do princípio de que "as ideias e a cultura são a força motriz da Europa", acordaram valorizar "o sucesso dos projectos europeus" e alargar o programa Erasmus ao Ensino Secundário.

Publicado por esta às novembro 10, 2004 05:22 PM