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novembro 11, 2004
Reforço da UE na cena internacional
Fonte: Primeiro de Janeiro
A União Europeia pode assumir-se como um factor determinante na cena internacional, desde que se tenha uma visão clara do que se pretende, algo que ainda não existe. Esta convicção foi ontem manifestada por Jorge Sampaio, em Itália, para quem a parceria com os EUA é também fundamental. Desde que dentro da legalidade internacional…
O contexto actual é favorável ao reforço da afirmação da União Europeia na cena internacional, mas falta ainda uma visão clara do papel que se pretende para a Europa no mundo. Esta ideia foi ontem defendida em Itália pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, durante uma conferência subordinada ao tema «A Europa em movimento: novas relações de vizinhança», realizada no Palácio Montecioro (Câmara dos Deputados italiana), onde o Chefe de Estado lembrou que “sem uma visão estratégica, nenhum projecto é sustentável a longo prazo”, precisamente a maior dificuldade, agravada ainda pelo aumento da diversidade de interesses e abordagens trazido pelo alargamento. No entender de Jorge Sampaio, a UE deve assumir-se não só como “actor legítimo e eficaz da mundialização”, mas também como “interlocutor de peso na ordem internacional”, assumindo, ainda, um papel indispensável e determinante na regulação da globalização por forma a corrigir os desequilíbrios existentes. Assim sendo, Jorge Sampaio considera que a UE “tem condições para se afirmar como catalisador da renovação e para influenciar o sentido da recomposição da ordem internacional”. E é aqui que entram o complexo equilíbrio de forças com os Estados Unidos da América, afinal o pilar em que assentam as relações transatlânticas. Para Sampaio, os EUA “são um aliado inestimável da Europa no quadro da Aliança Atlântica, assim como parceiro incontornável da cooperação internacional”. Só que, afiançou o Presidente da República, este quadro de parceria privilegiada “não significa coincidência necessária de todos os pontos de vista, nem partilha total de interesses e valores”, frisando que o importante “é que tudo se passe no quadro da escrupulosa aplicação dos princípios de legalidade internacional, na base do diálogo, do respeito mútuo e da concertação”. Basicamente, Sampaio voltou a apelar ao reforço dos poderes e atribuições da ONU, à semelhança do que já havia feito durante o encontro com o presidente italiano, Carlo Ciampi.
Outro vector fundamental para a afirmação da Europa passa pela definição de uma nova política de vizinhança, até porque o alargamento alterou as fronteiras da UE. Mais, ao deslocar as fronteiras externas, a União deslocou também o seu centro de gravidade, reforçando a dimensão continental e setentrional do espaço europeu. Ao considerar imperiosa esta nova política de vizinhança, Sampaio lembra que ela deve “assentar numa visão ambiciosa da Europa, que faz jus à sua vocação universalista”, desenvolvendo um novo tipo de relacionamento, baseado em parcerias, com países que, embora fronteiriços, não estão em condições de aderir à UE. De acordo com o Presidente da República, esta nova política de vizinhança “repousa numa concepção do projecto europeu como um sistema de valores aberto, cuja estabilidade não depende apenas do reforço da unidade interna, mas também do equilíbrio que souber estabelecer com o espaço ambiente circundante”, afirmando que, para tal, “é indispensável dotar a UE de instrumentos e meios à altura das suas ambições”. A finalizar, Sampaio sublinhou a importância da participação activa dos países do Mediterrâneo no desenvolvimento dessa nova política de vizinhança, deixando mesmo no ar a ideia de confiar a Portugal e à Itália “um papel catalisador” em todo o processo. Como? Aproveitando melhor “as extensas potencialidades, ainda pouco exploradas, do Processo de Barcelona, para estimular a cooperação entre os parceiros euro-mediterrâneos, para conjugar esforços na luta contra o terrorismo e para atenuar os efeitos negativos da crise actual, quer ao nível económico, quer no plano cultural”.
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Homenagem ao soldado desconhecido e visita ao Coliseu
Durante a manhã de ontem, Jorge Sampaio prestou homenagem ao soldado desconhecido, através da deposição de uma coroa de flores no Altare della Pátria. Perante uma guarda militar de respeito, o Chefe de Estado cumpriu o cerimonial, deslocando-se depois ao mítico Coliseu de Roma, onde ouviu algumas explicações sobre a história do espaço. E ainda encontrou uma americana filha de portugueses, que se manifestou encantada por conhecer o Presidente da República Portuguesa!
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Política à italiana
A grande notícia do dia de ontem em Itália não era a visita de Jorge Sampaio ao país. Era o chumbo da primeira votação do Orçamento de Estado, uma situação que, de acordo com os jornalistas italianos, deixou Silvio Berlusconi à beira de um ataque de nervos. Não tanto pelo chumbo, mas pela forma como se processou. É que o governo , vendo que não tinha maioria na câmara, devido a muitas ausências, começou a prolongar os discursos à espera da chegada dos deputados mais retardatários. Quando se pensava que o documento já iria passar aconteceu o verdadeiro golpe de teatro: a oposição tinha vários deputados «escondidos» nos corredores e nas casas-de-banho, que apareceram na sala no preciso momento da votação. Berlusconi ficou furibundo e, durante todo o dia de ontem fugiu dos jornalistas italianos (e dos portugueses também) como o diabo da cruz…
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Picture, please?
É impressionante a «invasão» de japoneses em Roma. Estão por todo o lado, em todos os monumentos, em todas as lojas. Aliás, o conhecimento da língua japonesa nas lojas de alta costura da capital italiana, começa a ser condição fundamental para a admissão de qualquer trabalhadora. E depois, claro, sempre de máquina fotográfica em punho a disparar sobre tudo o que se mexe.
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Confindustria
“Disciplina”
Da parte da manhã, Jorge Sampaio e a comitiva de empresários que o acompanha tomaram o pequeno almoço com Luca de Montezemolo, o todo-poderoso presidente da Confindustria, empresa onde estão concentradas marcas como a Fiat ou a Ferrari. Um dos participantes foi Américo Amorim, que classificou o encontro como “uma aula de rigor e disciplina”. Uma das coisas que tomou nota foi o facto de que em Itália a organização empresarial está perfeitamente definida, ao passo que em Portugal a fragmentação em diversas associações praticamente estanques “condiciona a nossa capacidade de reivindicação junto do Governo”. Como tal, advoga Américo Amorim, “é preciso que em Portugal se mude a atitude perante certas coisas”.
Publicado por esta às novembro 11, 2004 12:34 PM