« Barroso prevé que su equipo tome posesión el 22 de noviembre | Entrada | Alemanha defende acções militares europeias »
novembro 11, 2004
Presidente quer a Europa mais afirmada no mundo
[Fonte: Jornal de Notícias]
Visita No segundo dia em Itália, Jorge Sampaio defendeu a urgência da União em concertar política externa comum Polémica em torno da nova Comissão Europeia tem estado ausente
A União Europeia tem de afirmar no mundo a sua identidade política, pois tem "um papel insubstituível na definição de uma nova matriz da ordem internacional". Foi esta a mensagem que o presidente da República defendeu ontem em Itália. Depois de no primeiro dia da visita de Estado ter apelado à "rápida" ratificação do Tratado Constitucional, ontem, Jorge Sampaio alertou que a Europa tem de concertar uma estratégia comum de política externa.
"Não podemos contar com uma mágica e inesperada fusão de interesses entre os estados membros", afirmou, apontando pela primeira vez uma lacuna no Tratado: é ambíguo sobre o estatuto da política externa da União. "Importa agora investir nas relações com o resto do mundo. Ou seja, devemos concentrar os esforços na política externa e torná-la uma das prioridades da agenda europeia", insistiu, sublinhando que este será o "grande desafio dos próximos anos".
Numa conferência na Câmara dos Deputados - na mesma sala onde em 1946 foi anunciado aos italianos o resulta do referendo que transformou o país numa República -, o presidente manifestou a convicção de que "sem o desenvolvimento de uma abordagem cooperativa da paz e da segurança, dificilmente se conseguirá ultrapassar a fragmentação, o caos e o vazio político".
Ao insistir na necessidade do "reforço da legalidade internacional" e de "mais diálogo multilateral", critica indirectamente o modo como as intervenções militares no Afeganistão e Iraque se processaram. Talvez, por isso também tenha sublinhado, veementemente, que a relação transatlântica tem de ser reforçada. Os Estados Unidos são "um parceiro incontornável". No entanto, a parceria "não significa coincidência necessária de todos os pontos de vista, nem partilha total de interesses e valores", frisou.
Os temas europeus continuam, assim, a dominar a primeira visita de Estado de Sampaio a Itália. Foi o que aconteceu ontem no encontro com o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e os líderes da Oposição. Mais uma vez os objectivos da Estratégia de Lisboa foram recordados. Porque ainda não foram cumpridos e por as metas definidas há quatro anos serem "o elemento indispensável à qualificação e capacidade produtiva da Europa".
À margem das conversações passou, pelo menos, publicamente, a formação da nova Comissão Europeia e o falhanço da primeira equipa de Durão Barroso, devido, fundamentalmente à polémica gerada em torno do italiano Buttiglione.
Bloco de notas
Condicionamentos
Os jornalistas portugueses foram impedidos de observar a chegada do presidente ao Conselho de Ministros. Só os italianos puderam ver Berlusconi cumprimentar Sampaio. As limitações à Imprensa lusa em terras romanas não se ficaram por aqui. À tarde, na Câmara dos Deputados, os repórteres portugueses também não puderam entrar pela mesma porta que os seus colegas, mas sim pela garagem. O protocolo italiano embirrou também com algum vestuário. Calças de ganga rotas ou barba por fazer, exibida com estilo pelos da terra até é permitido, mas sem gravata é que nenhum repórter trabalha em Roma.
Turistas japoneses
São aos milhares os turistas japoneses em Roma. Tanto que em certas lojas, alguns funcionários já aprenderam a língua. Sempre munidos de máquinas fotográficas ficaram estupefactos ao assistirem a um directo televisivo de uma equipa portuguesa, que acompanha Sampaio. A repórter foi rodeada por imenso grupo. Objectivo: uma foto de família, com uma suposta cara famosa.
Publicado por esta às novembro 11, 2004 12:43 PM