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novembro 05, 2004

Moçambique: inscrição «indevida» de eleitores

Moçambique: inscrição «indevida» de eleitores

RENAMO considera que recenseamento eleitoral na província de Cabo Delgado está «viciado»

A RENAMO denunciou hoje a inscrição "indevida" de 22 mil eleitores na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, considerando que o recenseamento eleitoral ali realizado se encontra "viciado".

"Houve 22 mil pessoas que foram recenseadas nos cadernos eleitorais (de Cabo Delgado) e nem sequer existem lá inscritas", acusou Raimundo Samuge, vice-presidente pela RENAMO da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique (CNE).

O representante do maior partido da oposição moçambicana acusou a CNE de não ter dado resposta a um recurso que a RENAMO apresentou em Cabo Delgado e que diz ter dado entrada no órgão eleitoral nacional no passado mês de Agosto, após o termo do processo de recenseamento eleitoral.

"Tentámos gerir a questão internamente na CNE, mas face a isto, o nosso silêncio tornar-nos-ia cúmplices desta matéria", disse Samuge, justificando a conferência de imprensa realizada hoje para denunciar os alegados erros nos cadernos eleitorais de Cabo Delgado.

"Vamos (às eleições) com mais 22 mil eleitores que não estão inscritos, é um assunto grave, é preciso que os moçambicanos saibam e que os eleitores saibam", acrescentou o deputado da RENAMO.

Raimundo Samuge referiu-se ainda ao actual conflito entre a CNE e a União Europeia, recordando que o seu partido votou "desde a primeira hora" a favor das pretensões da UE de observação de todas as fases do escrutínio eleitoral, às quais se opõe o órgão moçambicano que quer limitar a presença dos observadores às assembleias de voto.

"Um processo eleitoral tem muitos actores, o pronunciamento deles é que irá dizer se o processo é credível", disse, referindo-se ao aviso sobre a credibilidade das eleições gerais de Dezembro lançado esta semana pelo chefe dos observadores europeus, o eurodeputado espanhol Javier Pomés, face à manutenção das divergências com a CNE.

O representante da RENAMO acusou ainda a CNE de nada fazer "para repor a legalidade" no distrito de Chicualacuala, província de Gaza, sul, de onde, em Setembro, foram expulsos "por elementos identificados com a FRELIMO" os membros da RENAMO na Comissão Distrital de Eleições.

"Pedimos sem êxito ao presidente da CNE para garantir a sua presença naquele distrito", queixou-se Samuge.



Publicado por esta às novembro 5, 2004 03:49 PM