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novembro 05, 2004

Martins da Cruz e Severiano Teixeira Favoráveis à Adesão da Turquia

Fonte: Público

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, e Nuno Severiano Teixeira, ex-ministro da Administração Interna e director do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), defenderam, ontem, a adesão da Turquia à União Europeia (UE).

Num debate organizado pelo grupo parlamentar do CDS sobre este tema, Martins da Cruz considerou ser do "interesse político, estratégico e económico da UE abrir as negociações" com a Turquia. Para o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Durão Barroso, a adesão turca fará da UE um actor privilegiado no diálogo com o mundo islâmico, reforçará o poder europeu na NATO, abrirá o mercado europeu a mais 80 milhões de pessoas e dará um sinal positivo ao islamismo moderado.

Martins da Cruz lembrou que a Comissão Europeia reconheceu os progressos da Turquia ao nível constitucional e legislativo, admitindo que cumpre os critérios políticos e económicos que permitem abrir negociações. "A religião não pode ser um critério de adesão", salientou.

Também Nuno Severiano Teixeira reforçou que que a Turquia tem que cumprir os mesmos critérios que todos os outros países. Por essa razão, para o ex-ministro de António Guterres, o "critério cultural e religioso" que tem surgido na opinião pública é o menos importante. Severiano Teixeira afirmou mesmo que "se a UE disser que não à Turquia, está a dizer que não é possível uma UE tolerante, aberta, multi-cultural e está a dizer que o choque de civilizações é inevitável".

Para o director do IPRI, o critério geográfico também não pode ser utilizado para rejeitar a adesão da Turquia: "A UE afastou este critério, porque já acolheu países como Malta e Chipre, que não estão no espaço territorial europeu." Pelo contrário, na sua opinião alargar as fronteiras da UE irá trazer-lhe maior poder na resolução de conflitos como o do Médio Oriente.

Já Luís Queiró, eurodeputado do CDS/PP, é de opinião contrária. "Havia que definir os limites geográficos da UE antes mesmo de saber se a Turquia cumpre os requisitos de adesão", afirmou. Luís Queiró levantou ainda a questão de saber se a UE está preparada para fazer fronteira com países como o Iraque, o Irão ou a Síria, se está preparada para fazer face aos encargos financeiros que a adesão turca trará ou se está preparada para receber 80 milhões de muçulmanos.

Também Adriano Moreira considera que "a definição das fronteiras (da UE) é um desafio que se acentua". Para o fundador do CDS, a Turquia seria um natural membro do "círculo de amigos" da UE, uma vez que se encontra para além das suas fronteiras geográficas. Adriano Moreira concluiu dizendo ainda que a Europa talvez devesse considerar os custos da resolução da questão curda na Turquia.

Publicado por esta às novembro 5, 2004 05:07 PM