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novembro 16, 2004

Europa Procura Remédio para as doenças músculo-esqueléticas

Fonte: Público

A pergunta: há necessidade de nova legislação comunitária ou é preferível esperar por medidas voluntárias dos Estados-membros? Os destinatários: trabalhadores e empregadores. O problema: as doenças músculo-esqueléticas, de que padecem mais de 40 milhões de pessoas na União Europeia.
A Comissão Europeia quer erradicar o problema. Para isso lançou ontem o repto aos representantes de trabalhadores e entidades patronais para que apresentem soluções a um mal que, dizem os estudos da própria CE, é cada vez mais frequente, a ponto de representar já quase metade das doenças profissionais.
Dores nas costas por uma pobre ergonomia do posto de trabalho, tendinites e afecções musculares por repetição excessiva de certos movimentos e lesões esqueléticas por deslocação de pesadas cargas são os problemas mais contabilizados entre as enfermidades contraídas em trabalho e os três mais significativos entre as doenças músculo-esqueléticas.
A falta de cuidado com a ergonomia do posto de trabalho é apontada como a primeira ameaça à saúde dos trabalhadores. E traduziu-se no aumento das queixas: segundo a própria Comissão, um terço dos trabalhadores europeus sofre de persistentes dores nas costas e dores lombares - em cinco anos, notou-se uma subida de três pontos percentuais.
Os trabalhadores do sector agrícola, por exemplo, com 57 por cento de afectados, são quem mais acusa problemas motivados por excessivo esforço muscular. Mas as complicações músculo-esqueléticas não poupam quem trabalha nas mais variadas áreas, sobretudo em profissões em que a rigidez das posições provoca este tipo de lesões.
Mas se este tipo de problemas é cada vez mais frequente entre os trabalhadoers de diversas áreas, é também verdade que existe agora uma nova sensibilidade para o problema.
Quanto mais não seja porque, que além de estar em causa a saúde dos empregados, fica também em evidência o custo que representam para a economia estas persistentes enfermidades profissionais. Quando se fala em perdas de biliões de euros para os empregadores, o alerta ganha outra dimensão.
É a própria Comissão Europeia a sublinhar esse aspecto: as doenças músculo-esqueléticas abalam a produtividade e, por consequência, podem fazer com que a competitividade dos Estados-membros seja menor, implicando perdas de 0,5 a dois por cento do Produto Interno Bruto.
Apesar de haver já regulamentações nacionais e comunitárias nesta matéria, alarmada pelo crescimento dos números, a CE decidiu ponderar um novo avanço.
Não obstante no passado recente as entidades patronais se terem mostrado pouco interessadas em acrescentar mais e melhores dispositivos legais, sendo de opinião que eram suficientes os já existentes, a Comissão espera agora motivar novas perspectivas também junto dos empregadores. E assim, desde ontem e durante seis semanas, aguarda propostas, de ambas as partes, trabalhadores e empregadores, para que no futuro estes problemas possam ser eliminados.

Publicado por esta às novembro 16, 2004 02:40 PM