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novembro 28, 2004
Eleições na Roménia Preparam Adesão à União Europeia
Fonte: Público
Principais blocos políticos estão quase lado a lado nas sondagens
A população da Roménia vai hoje às urnas para eleições legislativas e presidenciais, com os dois principais blocos políticos e respectivos candidatos à chefia do Estado praticamente lado a lado nas intenções de voto. A actual coligação no poder regista contudo uma ligeira vantagem, que poderá revelar-se decisiva.
Com o país integrado na NATO desde a Primavera passada e a concluir o processo de integração na União Europeia (UE), que deverá ser consumado em 2007, não se prevê uma grande contestação internacional ao escrutínio - como actualmente sucede na vizinha Ucrânia - apesar de a Roménia possuir, desde o século XIX, uma longa história de eleições mais ou menos manipuladas, incluindo algumas realizadas após 1989.
Das 53 formações ou coligações concorrentes, apenas duas grandes forças políticas têm hipóteses de garantir a vitória: a União, que junta o Partido Social-Democrata (PSD) e o Partido Humanista Romeno (PUR), no poder. A União apoia à presidência Adrian Nastase, o primeiro-ministro cessante e próximo do Presidente Ion Iliescu, ex-membro "heterodoxo" do Partido Comunista.
A Aliança Verdade e Justiça (DA), que integra o Partido Nacional Liberal (PNL) e Partido Democrático (PD), ambos na oposição e de tradição conservadora, lançou na corrida às presidenciais Traian Basescu, o presidente da câmara municipal de Bucareste. Prevê-se a realização de uma segunda volta entre os dois candidatos.
À margem das suas coligações surge o Partido da Grande Roménia (PRM), a formação do líder nacionalista e populista Corneliu Vadim Tudor, que ultimamente tem tentado corrigir a sua imagem xenófoba e ainda poderá desempenhar uma importante função nos bastidores da política romena.
Apesar da intensa rivalidade interna, os programas eleitorais das duas principais formações são muito semelhantes em termos gerais. Ambos prometem aumentos salariais, menos impostos e uma administração pública mais eficaz, o que está a contribuir para aumentar a perplexidade entre o eleitorado. "Entre nós, os programas políticos não são muito reveladores. A agenda real dos homens políticos é que faz a diferença e o problema sempre foi a sua concretização prática. A dupla linguagem sempre foi muito frequente entre os homens políticos romenos", referiu recentemente ao jornal de Bucareste "Capital" Sorin Ionita, director executivo da Sociedade Académica Romena (SAR).
Desta forma, as escolhas políticas deverão ser feitas mais em função do que os dirigentes políticos já demonstraram, em detrimento do programa que apresentam. E neste aspecto, os sociais-democratas no poder possuem em teoria alguma vantagem, apesar de desemprego e da inflação não estarem totalmente sob controlo, e do salário médio bruto rondar os 250 euros.
A corrupção constitui outros dos grandes problemas do país, na sequência de processos de privatizações pouco transparentes e que beneficiaram parte da antiga nomenclatura, hoje "respeitáveis" homens de negócios e firmes defensores do modelo económico neo-liberal.
Perante a actual situação no país, e de acordo com um relatório da Sociedade Académica Romena (SAR), podem perspectivar-se dois cenários distintos: a concretização de amplas reformas estruturais que garantam prosperidade e sucesso, ou a utilização dos recursos disponibilizados pela UE exclusivamente no interesse da elite dirigente, cujo poder assenta numa vasta rede clientelista, e que conserva a sua base eleitoral nas zonas menos desenvolvidas.
Publicado por esta às novembro 28, 2004 09:56 AM