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novembro 22, 2004
Durão inicia mandato sob ameaça de nova crise
Fonte : Visão
Aprovada na semana passada, a nova Comissão Europeia chefiada por Durão Barroso entrou esta segunda-feira em funções, para um mandato de cinco anos, sob a ameaça de uma nova crise: Um dos comissários terá ocultado uma condenação a oito meses de prisão
O comissário europeu dos Transportes, o francês Jacques Barrot , terá ocultado uma condenação a oito meses de prisão em 2000 por financiamento irregular do seu partido centrista. No domingo, Durão Barroso pediu a Barrot para esclarecer a sua situação por escrito junto do presidente do Parlamento Europeu, Josep Borrell.
É com esta ameaça de nova crise nas instituições europeias que a equipa de Durão Barroso inicia oficialmente as suas funções, depois de um turbulento processo de aprovação por parte do Parlamento Europeu, que contestava alguns dos nomes apresentados inicialmente pelo antigo primeiro-ministro português. O novo executivo comunitário substitui assim com um atraso de três semanas a equipa do italiano Romano Prodi.
«Muito trabalho com certeza é o que me espera. Estou cheio de motivação porque penso que há muito a fazer», afirmou Durão Barroso, esta manhã.
O antigo primeiro-ministro português foi obrigado a proceder a uma pequena remodelação da sua equipa inicial, com a substituição de dois elementos, depois de a Assembleia de Estrasburgo ter ameaçado, em Outubro, chumbar a lista inicial de comissários europeus. Os eurodeputados apenas na quinta-feira deram um apoio expressivo à nova Comissão Barroso com 449 votos a favor, 149 contra e 82 abstenções.
Durão Barroso vai liderar 24 comissários europeus, um por cada Estado-membro, que se vão instalar no renovado e ultramoderno Berlaymont, em Bruxelas, edifício histórico da sede da Comissão Europeia, que durante 14 anos esteve desactivado com a realização de obras para retirar amianto e outros materiais tóxicos.
José Manuel Durão Barroso deu como grande prioridade à sua equipa o relançamento económico da Europa (estratégia de Lisboa) e a redução do atraso da competitividade do velho continente em relação aos seus concorrentes mais próximos, principalmente os Estados Unidos. A Comissão Europeia vai também estar na primeira linha para acompanhar o processo de ratificação da Constituição Europeia e da preparação, eventualmente, de um plano para o caso de esta ser chumbada em um qualquer Estado-membro.
Modernizar o modelo europeu
Em entrevista publicada esta segunda-feira, Durão Barroso apelas aos 25 para se encontrar «uma nova síntese entre o dinamismo económico e a coesão social». «Não se trata de pôr em causa o nosso modelo, mas pelo contrário de o conservar, modernizando-o», sublinhou Durão Barroso na entrevista ao jornal Echos.
«Na falta de um crescimento mais forte e de uma melhor produtividade, não poderemos manter os níveis elevados de protecção social e de exigências ambientais que fazem parte dos direitos adquiridos europeus», alertou o ex-primeiro-ministro português, sublinhando ainda que «ou nos adaptamos ou vamos perder a batalha económica».
Publicado por esta às novembro 22, 2004 10:15 PM