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novembro 02, 2004

Democracia na Europa

Fonte: Diário Digital

VIRTUALIDADES
Mário Bettencourt Resendes - Jornalista

Os contratempos que o presidente da Comissão Europeia enfrentou nos últimos dias foram um revés sério para quem até agora mereceu apreciações positivas da generalidade da Imprensa europeia e internacional. Não me dá, obviamente, qualquer satisfação ver um compatriota, tão bem colocado, em dificuldades, mas é preciso reconhecer que Durão Barroso cometeu alguns erros de percurso na fase final da formação da nova Comissão e, sobretudo, subestimou a autonomia de decisão dos membros do Parlamento Europeu.

Negociador hábil, com uma larga experiência na grande diplomacia, Durão ter-se-á convencido que as pressões dos governos nacionais sobre os respectivos deputados chegaria para garantir a aprovação da Comissão no Parlamento de Estrasburgo. Enganou-se e foi obrigado a um recuo pouco prestigiante, a fim de evitar uma situação que colocaria a UE numa crise sem precedente.

O que se passou esta semana teve, no entanto, - e aqui discordo de algumas análises que li nos últimos dias – um simbolismo positivo dirigido a todos os cidadãos da Europa comunitária: percebeu-se que o voto para o Parlamento Europeu tem consequências importantes na forma como a Europa pode – ou não... – ser governada a partir de Bruxelas. E isso é uma contribuição inestimável para uma maior mobilização dos eleitores na escolha dos seus representantes directos a nível do todo da UE.

A intransigência dos parlamentares de Estrasburgo pode ter sido uma contribuição preciosa para a ratificação da Constituição Europeia, um processo que «ainda vai no adro»...

Publicado por esta às novembro 2, 2004 09:03 PM