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novembro 10, 2004

Costa do Marfim: Governo manda retirar tropas

Costa do Marfim: Governo manda retirar tropas


E pediu às autoridades francesas que dêem ordens aos seus soldados para que façam o mesmo

O porta-voz do presidente da Costa do Marfim, Désiré Tagro, anunciou hoje a retirada das forças governamentais e pediu às autoridades francesas que dêem ordens aos seus soldados para que façam o mesmo e "parem de atirar".

O porta-voz fez esta declaração à cadeia de televisão francófona TV5 momentos depois do presidente da Assembleia Nacional costa- marfinense, Mamadou Koulibaly, ter afirmado que o presidente Laurent Gbagbo estar "aberto a negociações, a discussões".

"Vamos cessar o fogo no terreno e falar", apelou o líder do parlamento.

Entretanto, a União Africana (UA) encarregou o presidente sul- africano, Thabo Mbeki, de "liderar uma missão de urgência para encontrar uma solução política para a crise" na Costa do Marfim.

Esta decisão foi tomada na sequência de uma reunião no sábado, na Nigéria, entre a UA e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

O objectivo desta missão, segundo fonte da UA que pediu o anonimato, é reunir à mesa das negociações Laurent Gbagbo, Alassane Ouattara, da oposição costa-marfinense, o presidente do Gabão, Omar Bongo, e o presidente do Burkina Faso, Blaise Compaoré.

A União Europeia (UE) também já condenou os ataques contra as forças francesas e apelou a Gbagbo para que "cesse todas as operações militares".

Javier Solana, representante da UE para a política externa, classificou os ataques de "indesculpáveis", advertindo Gbagbo que a estabilização do país é "crucial" para as relações entre os 25 e a Costa do Marfim.

Por seu lado, o primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, destacou hoje a gravidade da situação na Costa do Marfim, que exige da parte das forças francesas "a máxima atenção".

Neste sentido o contingente de 4.000 homens das forças de paz francesas começou já a ser reforçado, prevendo-se que nos próximos dias seja aumentado para 5.300, segundo o Ministério da Defesa francês.

Para Abidjan seguiram também meios médicos suplementares, incluindo três equipas especializadas em evacuações.
O objectivo deste reforço é prestar assistência e retirar do país soldados franceses feridos na sequência do bombardeamento, estando já os nove hospitais militares franceses prontos para os receber.

O reforço do contingente visa ainda proteger os cerca de 20.000 cidadãos franceses que vivem na Costa do Marfim e que desde a noite passada estão a ser alvo da fúria de manifestantes, a maioria jovens radicais, apoiantes do presidente Gbagbo.

Segundo testemunhas, foram incendiadas e pilhadas várias casas de cidadãos franceses.

O conflito na Costa do Marfim começou com a sublevação militar de 19 de Setembro de 2002, que terminou com a assinatura de um acordo de paz em Janeiro de 2003 na cidade francesa de Marcoussis, mas que apenas foi ratificado em Julho último em Accra, no Gana.

Apesar do acordo de paz, cujo cessar-fogo foi violado pela primeira vez, em mais de um ano, na passada quinta-feira com o início dos bombardeamentos sobre Bouaké, centro do país, bastião dos rebeldes das Forças Novas, as tensões mantiveram-se com o norte nas mãos dos rebeldes e o sul controlado pelo governo.

A crise agravou-se na sequência do bombardeamento, sábado, das forças governamentais sobre posições da força de paz francesa na mesma região, que provocou a morte a nove soldados franceses.

A força gaulesa respondeu a este ataque e destruiu os meios aéreos das forças governamentais, além de ter assumido o controlo no aeroporto internacional de Abidjan.

Seguiram-se manifestações junto ao aeroporto e violência na capital em zonas onde residem cidadãos franceses.
A Costa do Marfim é uma antiga colónia francesa que se tornou independente em 1960.


Publicado por esta às novembro 10, 2004 11:14 AM