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novembro 20, 2004

Comissário Francês Provoca Novo Embaraço a Barroso...

Fonte: Público

Uma nova polémica está a envolver a Comissão Europeia de Durão Barroso depois da revelação tardia de uma condenação a uma pena suspensa, posteriormente amnistiada, contra o comissário francês, Jacques Barrot, num velho processo por financiamento do seu partido político.

Esta revelação provocou ontem uma reacção firme dos lideres dos grupos políticos do Parlamento Europeu (PE) - socialistas e liberais - que se insurgiram por não terem sido informados previamente do passado judiciário de Barrot.

Martin Schulz, presidente do grupo socialista (200 membros) exigiu a realização de uma reunião urgente com Barroso "para discutir as alegações" contra o comissário francês.

Graham Watson, líder do Grupo Liberal (88 deputados) pediu igualmente uma clarificação rápida dos factos. "Parece que Jacques Barrot não tem um cadastro formal. No entanto, a actividade em que esteve envolvido não lhe permitiria assumir cargos públicos em muitos estados membros da UE", afirmou.

Os dois líderes tinham-se no entanto juntado ao coro de protestos dos presidentes da maior parte dos grupos parlamentares, depois de Nigel Farage, deputado do partido euroceptico britânico UKIP, ter ressuscitado o caso imediatamente antes do voto de investidura da nova Comissão, na quinta-feira.

Depois de um ataque cerrado a varios comissários pelas mais variadas razões, Farage afirmou: "de França, temos Jacques Barrot, que se vai ocupar dos Transportes. Em 2000, foi condenado a uma pena de prisão suspensa (...) pela sua implicação num caso de desvio de fundos", afirmou.

"O que o senhor Farage disse não é digno deste Parlamento", protestou o alemão Hans-Gert Poettering, líder do grupo popular PPE, sob a pressão dos deputados franceses do partido UMP a que pertence Barrot. "Nunca, em qualquer momento, Barrot cometeu um delito", acrescentou. Schulz (alemão) sublinhou que as diferenças políticas não podem pôr em causa "a integridade pessoal" dos membros da Comissão, enquanto que Watson (britânico) se insurgiu contra os compatriotas "hooligans".

As reacções indignadas iniciais dos líderes parlamentares leva a crer que, quando reagiram no plenário do PE, não conheciam os factos: Barrot foi efectivamente condenado em Fevereiro de 2000, com dois outros ex-ministros, a uma pena de prisão suspensa num processo de financiamento oculto do seu partido CDS (Centro dos democratas sociais). As três penas foram logo a seguir anuladas pelo Tribunal Correcional de Paris no quadro de uma amnistia.

O que parecia inicialmente um "fait-divers", está agora em risco de se transformar numa nova crise para Durão Barroso, que saiu há apenas dois dias do mais atribulado processo de sempre para a investidura da Comissão.

De acordo com um dos seus porta-vozes, o presidente só teve conhecimento do caso na própria quinta-feira com a revelação de Farage. Mas, frisou, Barrot tem um cadastro limpo e o caso não afecta a sua aptidão para exercer o cargo de comissário. "O presidente Barroso tem plena confiança no vice-presidente Barrot", continuou a mesma fonte, sublinhando que "não há nada que alguma vez o tenha impedido de assumir um cargo público".

Publicado por esta às novembro 20, 2004 01:41 PM