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novembro 19, 2004
Comissão convence
Fonte: Primeiro de Janeiro
A nova Comissão Europeia foi aprovada ontem por ampla maioria, em Estrasburgo, pelo Parlamento Europeu. O colégio de comissários chefiado por Durão Barroso acabou por ser remodelado com a entrada de dois novos candidatos, pondo fim a uma crise institucional.
A nova Comissão Europeia de Durão Barroso deverá entrar em funções na próxima segunda-feira, dia 22, com um mandato de cinco anos, depois de ter recebido ontem, em Estrasburgo, a aprovação do Parlamento Europeu (PE). A equipa chefiada pelo ex-primeiro-ministro português contou com 449 votos a
favor, 149 contra e 82 abstenções e recebeu o apoio da maior família política do PE, os eurodeputados dos
conservadores do PPE onde estão integrados os membros do PSD, e com o voto favorável de uma parte significativa dos socialistas do PSE e liberais do ALDE. “Entendo esta confiança como uma enorme responsabilidade e vamos dar o máximo para servir a Europa e os cidadãos europeus”, disse Durão Barroso a seguir a ter conhecido o resultado da votação.
O ex-primeiro-ministro considerou que a Comissão Europeia saiu “reforçada” com o resultado da votação e afirmou-se “impaciente” para começar a trabalhar. A nova Comissão Europeia consegue ser eleita com um resultado superior ao da eleição, em Julho último, do próprio Durão Barroso, que alcançou 413 votos a favor, 251 contra e 47 brancos ou nulos.
Remodelação
Este resultado é visto como um reforço da posição de Barroso depois do braço de ferro mantido com o Parlamento Europeu desde Outubro passado. Estrasburgo havia manifestado grandes reservas à anterior equipa, ameaçando mesmo chumbar o elenco proposto, o que levou Durão Barroso a retirar a sua proposta momentos antes da votação, e a proceder a uma remodelação. Dois dos mais polémicos comissários foram substituídos, e um terceiro mudou de pasta.
O até há pouco ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália Franco Frattini substitui Rocco Buttiglione na pasta da Justiça e Assuntos Internos e Andris Piebalgs é o novo comissário designado da Letónia, em substituição de Ingrid Udre, que inicialmente deveria ficar com a pasta da Fiscalidade.
Durão Barroso decidiu atribuir-lhe o pelouro da Energia, anteriormente previsto para o húngaro Laszlo Kovacs, que fica agora responsável pela Fiscalidade. A “investidura” do executivo comunitário que entra assim em exercício com um atraso de três semanas em relação à data prevista inicialmente será formalizada hoje pelo Conselho de Ministros da União Europeia, através de uma aprovação sem debate no Conselho de Ministros da Justiça e Assuntos Internos, em Bruxelas.
Numa intervenção de resposta às críticas feitas pelos eurodeputados à equipa que dirige, Durão Barroso classificou o processo de aprovação da Comissão, nas últimas semanas, como “um exercício salutar de democracia” e frisou a importância do “espírito de compromisso” para a construção da Europa. As suas declarações foram proferidas, no âmbito da aprovação pelo PE de uma resolução que pede ao presidente designado da Comissão que mude os membros da sua equipa que, no exercício de funções, percam a confiança do Parlamento.
Publicado por esta às novembro 19, 2004 05:13 PM