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novembro 16, 2004
Comissão Barroso prestes a ser aprovada
Fonte: Público
Nova equipa deverá entrar em funções dentro de oito dias
Da nossa enviada Isabel Arriaga e Cunha, em Estrasburgo
Se tudo correr como previsto, a Comissão Europeia de Durão Barroso entrará em funções exactamente dentro de oito dias, com um atraso de três semanas face ao calendário previsto.
Antes disso, o Parlamento Europeu (PE) ainda terá de aprovar a investidura da nova equipa de vinte cinco comissários, num voto decisivo previsto para próxima quinta-feira. Desta vez, no entanto, o panorama anuncia-se bem mais positivo do que na anterior tentativa de investidura da Comissão, a 27 de Outubro, em que Barroso foi obrigado a retirar a equipa com uma promessa de remodelação para evitar um humilhante voto negativo do PE.
O resultado do novo voto está por seu lado dependente da prestação de três comissários nas audições a que serão hoje e amanhã submetidos nas comissões parlamentares especializadas. Os três visados, Franco Frattini, ex-ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Andris Piebalgs, diplomata letão e o húngaro Lászlo Kóvács, são o resultado da remodelação operada por Barroso, que se saldou na substituição de dois comissários e na alteração do pelouro do terceiro.
Frattini substitui o controverso compatriota Rocco Buttiglione na mesma pasta da Justiça, Liberdade e Segurança, enquanto que Piebalgs assume o lugar da primeira escolha da Letónia, Ingrida Udre, assumindo o pelouro da Energia. Já Kóvács, presente na primeira versão da equipa, cedeu ao letão a pasta da Energia que lhe tinha sido inicialmente atribuída para ficar com a Fiscalidade. Durão Barroso espera agora que se mostre mais convincente nas novas funções do que na Energia, cujos fracos conhecimentos foram severamente criticados pelos eurodeputados.
A permanência de Kóvács na equipa depois das críticas do PE constitui um motivo de irritação para o grupo parlamentar conservador e democrata-cristão (PPE), o maior da Assembleia, com 268 membros, que apoia incondicionalmente Barroso, membro da mesma família política. O PPE, que conta o partido democrata-cristão de Buttiglione entre os seus membros, exigiu sempre que a eventual substituição do conservador italiano fosse acompanhada pela queda do socialista Kóvács.
Barroso deixou no entanto claro que o Governo húngaro se opôs teminantemente à substituição do seu ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, lembrando que a escolha dos comissários constitui uma prerrogativa exclusiva dos estados. A decepção do PPE não deverá no entanto impedir a expressão unânime da sua fidelidade a Barroso na quinta-feira.
Já os grupos socialista (PSE, com 200 membros) e Liberal (ALDE, 88 deputados) que se opunham à primeira versão da equipa devido sobretudo à presença de Buttiglione, têm agora uma atitude bem mais positiva face à Comissão Barroso II. Isto, embora avisando que tudo dependerá da prestação dos três comissários resultantes da remodelação.
Os Verdes (42 membros) mantêm, em contrapartida, as reservas já expressas face à Comissão Barroso I, já que vêem mantida a preservação do seu carácter ultra-liberal e de reduzidas preocupações ambientais, a par da manutenção dos restantes três comissários considerados problemáticos pelo PE: a holandesa Neelie Kroes (Concorrência), a dinamarquesa Mariann Fischer-Boel (Agricultura) e o grego Stavros Dimas (Ambiente).
Publicado por esta às novembro 16, 2004 02:43 PM