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novembro 18, 2004

Barroso pede apoio forte

[Fonte: Jornal de Notícias]

Confiante na aprovação da sua equipa de comissários, no Parlamento Europeu (PE), o presidente designado da Comissão Europeia, Durão Barroso, aposta agora num "forte apoio" dos eurodeputados, que constituiria, também, uma "vitória para a democracia europeia" - segundo sustentou, ontem, no hemiciclo de Estrasburgo, França.

Depois de ter recebido garantias dos três principais partidos e do presidente do PE sobre a investidura da nova Comissão, após os resultados positivos das três últimas audições de comissários, Barroso acredita na possibilidade de conquistar uma maioria ampla ou, pelo menos, confortável, não inferior aos quase 60% (413) favoráveis que ele próprio obteve quando da sua eleição, no plenário de Julho.

É até possível que a Comissão seja eleita por um número superior de votos, tendo em conta que os deputados do Centro-Direita, socialistas e liberais representam 77%dos sufrágios possíveis, nessa votação em que uma maioria simples chega para viabilizar a entrada em funções da Comissão. Os comissários, depois de receberem "luz verde" da Assembleia, serão, em princípio, confirmados pelo Conselho, uma derradeira vez antes de entrarem em funções na segunda-feira, se tudo correr como previsto.

Discurso em três línguas

A investidura da Comissão Barroso põe termo a três semanas de instabilidade causada pela recusa do PE em investir o italiano Rocco Buttiglione - um período marcado por um vazio jurídico em que a Comissão cessante se manteve mas de mãos atadas, assegurando apenas a gestão dos assuntos correntes. Mas que também serviu para o repensar do método de selecção dos comissários - uma reflexão de que resultou o compromisso da parte do presidente designado de que demitirá qualquer membro da equipa em quem o PE deixe de ter confiança.

A menos de 24 horas da decisiva votação, Barroso falou aos eurodeputados, não escondendo o seu contentamento por ter logrado introduzir no elenco da Comissão as modificações "justas e necessárias" para ter o apoio do PE, mas preservando o equilíbrio (entre países grandes e pequenos e entre liberais sociais-democratas e socialistas) e assegurando o maior número de sempre de comissárias.

Num discurso trilingue (Português, Francês e Inglês), Durão congratulou-se com o repor em funcionamento do "relógio" que parara a 27 de Outubro, quando fora forçado a retirar de votação a Comissão Barroso I. E admitiu ter sido difícil pôr de pé a Comissão, concluindo, porém, que a União, a Comissão e o PE saem "mais fortes ".

As suas últimas palavras foram para a agenda que conta vir a concretizar: favorecer a criação de empregos e promover o crescimento; reforçar a democracia através da Constituição; mais dinamismo económico com mais justiça social; mais liderança europeia na cena internacional.

Publicado por esta às novembro 18, 2004 11:33 AM