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novembro 10, 2004

Arafat não será enterrado em Jerusalém

Arafat não será enterrado em Jerusalém

Reafirma ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Sylvan Shalom

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Sylvan Shalom, reafirmou hoje em Pequim que está posta de lado a hipótese de Yasser Arafat ser enterrado em Jerusalém.

«Não vamos dar a possibilidade de Arafat ser enterrado em Jerusalém», declarou Sylvan Shalom, em conferência de imprensa, na recta final de uma visita de quatro dias a Pequim.

O chefe da diplomacia israelita frisou que Israel acedeu a todos os pedidos das autoridades palestinianas para tratar Arafat e depois transferi-lo para França, mas Jerusalém nunca permitirá que o líder palestiniano seja enterrado em «território israelita».

«A família de Arafat está toda enterrada em Gaza, portanto este parece o local apropriado para ele ser enterrado, se morrer», indicou Shalom, após um encontro com o seu homólogo chinês, Li Zhaoxing.

Disputas sobre este assunto «não devem ser desculpa para mais violência» na região, advertiu Shalom, na opinião do qual a posição de Israel «é compreendida por toda a gente». O responsável pela diplomacia israelita criticou a liderança de Arafat, descrevendo-o como um dirigente «irresponsável», que está «envolvido em actos de terrorismo há décadas». Para Israel, segundo Shalom, Arafat é um obstáculo à emergência de dirigentes palestinianos moderados.

«Estes líderes palestinianos responsáveis terão medo de emergir enquanto Arafat existir», disse, assegurando que o seu governo está aberto ao reatamento do processo de paz com uma liderança palestiniana moderada.

«Israel espera que o povo palestiniano possa ser liderado por um líder responsável que combata o terrorismo e permita que regressemos ao diálogo e a negociação para a paz. Se estes parceiros emergirem, nós estaremos lá», indicou Shalom.

Reafirmando o empenhamento de Israel em cumprir o «Roteiro de paz», acusou a Autoridade Palestiniana de «não cumprir» a sua parte no acordo e adiantou que a recente proposta do Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, Javier Solana, feita com base naquele documento, poderá contar com o apoio israelita.

«Nós apoiamos todas as reformas sugeridas e quanto mais depressa elas forem postas em prática melhor», afirmou Shalom, referindo-se às reformas para aumentar a transparência nas contas da Autoridade Palestiniana e dar maior poder ao primeiro-ministro.

A China, tradicional simpatizante da causa palestiniana, tem procurado desempenhar um papel mais activo no conflito israelo-árabe, e designou há três anos um enviado especial para o Médio Oriente, Wan Shijie.

«Se a China - referiu Shalom - quer desempenhar um papel no processo de paz do Médio Oriente é mais do que bem-vinda. Mas gostaria de acrescentar que, quando alguém pretende ser mediador, deve ter uma atitude equilibrada em relação ao conflito». A China reconhece a Palestina como um país independente, com o qual estabeleceu relações diplomáticas em 1988.


Publicado por esta às novembro 10, 2004 10:28 AM