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novembro 20, 2004
APROVADA COMISSÃO DE BARROSO
fonteO Parlamento Europeu aprovou esta quinta-feira a Comissão Europeia de 24 membros escolhidos por José Manuel Durão Barroso, que assim entra em funções na próxima segunda-feira.
reuters
Barroso visivelmente satisfeito
O novo colégio de comissários foi aprovado com 449 votos a favor, 149 contra e 82 abstenções. A Comissão Europeia de Barroso, agora aprovada, será amanhã formalmente confirmada pelos ministros dos países membros da União Europeia e tomará posse na próxima segunda-feira, dia 22.
Um presidente de recurso indigitado - Barroso - conseguiu fazer aprovar um elenco de comissários alternativo. O processo não foi famoso, mas Barroso conseguiu, finalmente, criar e liderar um executivo comunitário.
Recorde-se que a indigitação de Barroso pelo Conselho Europeu, em Junho, foi uma solução de recurso, após as primeiras opções terem manifestado indisponibilidade para assumir o cargo. Depois, o primeiro colectivo de 24 comissários nem chegou a ir a votos na data marcada (27 de Outubro). Barroso retirou a proposta uma hora antes da votação, ciente de que o PE iria 'chumbar' a comissão, situação inédita na UE.
Os eurodeputados tinham dúvidas sobre seis dos 24 comissários inicialmente escolhidos por Barroso, principalmente sobre o italiano Rocco Buttiglione, devido às declarações deste em sede de audiência singular de avaliação sobre homossexualidade e o papel da mulher no matrimónio. Um outro comissário designado foi mesmo 'chumbado' (parecer não vinvulativo) por uma comissão parlamentar, que o considerou incompetente para assumir a pasta que lhe estava destinada.
A equipa de Barros deveria ter entrado em funções a 1 de Novembro, mas Romando Prodi teve de manter a sua Comissão em funções a título excepcional. O ex-primeiro-ministro português repensou a sua comissão, trocando os comissários italiano e letã e trocando outros dois de pasta, voltando a propor o elenco a votos no hemiciclo do PE. A votação desta manhã aprovou a Comissão de Barroso por larga maioria, maior ainda que aquela que em Julho aprovou Barroso como presidente indigitado (413 votos).
Antes da votação, Barroso efectuou no PE uma apresentação da equipa e dos objectivos do seu mandato. Depois da votação - e trocando do inglês para o português - Barroso agradeceu o voto de confiança dado pelos eurodeputados e prometeu "dar o máximo, para servir a Europa", as instituições e os cidadãos europeus. "Não tenho mais nada a dizer, temos sim muito a fazer", concluiu Barroso, fortemente aplaudido pelos eurodeputados.
Passou o pesadelo da aprovação, mas Barroso tem agora pela frente um mandato nada fácil.A nova Comissão Europeia tem seis desafios prinicpais 'à sua espera': restaurar a credibilidade da própria comissão (ameaçada pelo aumento de poderes do PE e pela intenção dos países membros de a minimizar); promover a ratificação do Tratado Constitucional; gerir uma comunidade com mais 10 países membros desde Maio (passou de 15 para 25); elaborar um orçamento comunitário capaz de satisfazer 'antigos' e 'novos'; assistir à previsível reforma do Pacto de Estabilidade e Crescimento e criar condições para que seja alcançado o objectivo último da Agenda de Lisboa (transformar a Europa comunitária na economia mais competitiva no Mundo até 2010).
PORTUGUESES CONTRA BARROSO
Oito eurodeputados portugueses optaram por não apoiar a remodelada equipa apresentada por Durão Barroso. Os dois eurodeputados do PCP e Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, votaram contra a equipa de Barroso, enquanto os deputados socialistas Ana Gomes, Edite Estrela, Elisa Ferreira, Sérgio Sousa Pinto e Manuel dos Santos optaram pela abstenção.
Publicado por esta às novembro 20, 2004 09:25 PM