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outubro 19, 2004
Vaticano Diz Que Sim à Turquia na União Europeia
[Fonte: Público]
O Vaticano é favorável à entrada da Turquia na União Europeia. A única questão é a resolver o problema da liberdade religiosa e do "pleno reconhecimento" jurídico da Igreja Católica e da sua presença no país. A declaração é de monsenhor Pietro Parolin, subsecretário da Santa Sé para as relações com os Estados, na presença do cardeal Renato Raffaele Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz.
Parolin falava ontem durante a apresentação de uma antologia de intervenções do Papa João Paulo II no campo da diplomacia. O problema do reconhecimento jurídico do catolicismo na Turquia continua em aberto desde há anos: o Vaticano pediu aquele país a celebração de um acordo bilateral que consagrasse esse reconhecimento e uma efectiva liberdade religiosa, mas até hoje a Turquia não se manifestou disponível para o fazer.
Entre os problemas que se verificam nas relações do Vaticano com a Turquia, estão a gestão das propriedades eclesiásticas que foram confiscadas à Igreja, bem como das casas de encontro, e a concessão dos vistos para padres e religiosos.
Há cerca de 120 mil católicos na Turquia (numa população de 20 milhões de pessoas), sendo a maior parte deles arménios e caldeus, ou turcos de origem europeia.
O livro ontem apresentado, ainda no âmbito das comemorações do 26º aniversário da eleição de João Paulo II, recolhe mais de 300 discursos do Papa em organizações internacionais, 137 mensagens a chefes de Estado, 18 a chefes de Governo e 691 discursos a embaixadores, na entrega das credenciais.
Paz e direitos humanos
Intitulado "João Paulo II e os desafios da diplomacia pontifícia", dele ressalta como tema-chave a defesa dos direitos humanos, na opinião dos apresentadores. Liberdade religiosa, defesa e promoção da paz, desenvolvimento dos povos, defesa da vida humana são os temas principais elencados pelo cardeal Martino, que percorrem a obra.
A Igreja Católica "tem o dever de intervir, de levantar a voz cada vez que a dignidade da pessoa humana, os valores morais da justiça, da liberdade, da verdade, da solidaridade e da paz são contraditos pelas vicissitudes do mundo", afirmou o cardeal Martino, justificando a publicação da obra, preparada no âmbito do Conselho Pontifício a que preside.
Renato Martino, que desempenhou já o cargo de representante da Santa Sé nas Nações Unidas, insistiu também em outro tema já referido pelo Papa: a necessidade da reforma da ONU.
Outro dos grandes temas que percorre os textos agora reunidos é a questão da paz. Ainda em relação à recente guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque, o Papa foi um dos seus principais opositores. Antes do início do conflito, João Paulo II enviou vários representantes seus a falar com o Presidente Bush e com o então Presidente iraquiano, Saddam Hussein, manifestando-se contra o conceito de guerra preventiva e propondo mesmo a ideia de que a guerra não é nunca solução - o que significa um avanço na doutrina católica, que tradicionalmente admitia a noção de "guerra justa", em determinadas condições.
Publicado por esta às outubro 19, 2004 09:08 AM