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outubro 26, 2004
UE/Turquia: Sampaio diz que adesão abrirá "formidável oportunidade para a paz"
Lisboa, 26 Out (Lusa) - O Presidente da República, Jorge Sampaio, voltou hoje a apoiar a adesão da Turquia à União Europeia, considerando que abrirá uma grande oportunidade para a paz.
"A adesão da Turquia representa uma formidável oportunidade para a paz, a democracia e a prosperidade dos povos", acentuou o Presidente na abertura de uma conferência em Lisboa sobre "as novas fronteiras da Europa", organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Sampaio considerou mesmo que "a perspectiva de alargamento da UE à Turquia - mesmo que seja dentro de 20 anos - constitui uma aposta promissora de interesse mútuo".
"Por um lado, permitirá reforçar o consenso nacional em torno da laicidade do Estado turco; por outro, contribuirá certamente, no mundo conturbado em que vivemos após o 11 de Setembro, para uma melhor percepção da Europa por parte dos países muçulmanos, invalidando a ideia, falsa e perigosa, da tão propalada `guerra de civilizações'", defendeu.
O Presidente da República contestou mesmo aquilo a que chamou a "ideia errónea de que a matriz judaico-cristã da civilização europeia exclui irremediavelmente do projecto europeu uma nação preponderantemente islâmica, como a Turquia". "Estamos, a meu ver, perante um grave preconceito que urge ultrapassar", sustentou.
Sampaio admitiu que a adesão da Turquia "coloca dificuldades inéditas", além de constituir um "enorme desafio" e obrigar a um "tremendo esforço".
"Negá-lo seria irresponsável e totalmente irrealista. Mas, primeiro, a negociação da adesão levará o tempo que for necessário, pelo que poderemos fazer todos os nossos respectivos trabalhos de casa; depois, a abertura das negociações permitirá justamente imprimir velocidade de cruzeiro a este processo de adaptação e de preparação de ambas as partes", lembrou o Presidente da República.
Para Sampaio, a questão será "verificar se a Turquia é de jure et de facto um Estado laico, de direito, democrático, respeitador dos direitos humanos e das liberdades fundamentais", tal como ficou estipulado, em 1993 em Copenhaga, com a fixação dos critérios políticos para a adesão.
JPS.
Lusa/fim
Publicado por esta às outubro 26, 2004 06:24 PM