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outubro 27, 2004

UE/Construção Civil: mais de 1.200 mortos/ano

UE/Construção Civil: mais de 1.200 mortos/ano

Mais de 820 mil acidentes de trabalho custam 75 mil milhões de euros a empresas e contribuintes

Mais de 820 mil acidentes de trabalho e 1.200 mortes ocorrem anualmente no sector da construção na União Europeia a Quinze, representando um custo de 75 mil milhões de euros para empresas e contribuintes, foi hoje anunciado.

Os dados, disponíveis apenas a nível europeu, são da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho e foram hoje divulgados em Bruxelas na apresentação da Semana Europeia para a Segurança na Construção.

A iniciativa, que inclui a distribuição de informação sobre riscos, avaliação de risco no local de trabalho e formação dos trabalhadores, iniciou-se segunda-feira e prolonga-se até sexta-feira em 30 países, incluindo Portugal.

Segundo a directora-geral do Emprego e Assuntos Sociais da Comissão Europeia, Odile Quintin, Portugal é um dos países europeus com um elevado número de acidentes no sector, mas as estatísticas são sempre menores do que a realidade, uma vez que muitos dos problemas ficam por conhecer.

Sob o lema "Construindo Segurança", a campanha tem como principal objectivo sensibilizar empresários, arquitectos, empresas e trabalhadores para a necessidade de aplicar as normas europeias de segurança, como fim de evitar tantos acidentes e desenvolver um ambiente de trabalho mais são e produtivo.

Pretende também combater as estatísticas elevadas de acidentes de trabalho no sector da construção na Europa, muitos dos quais poderiam ser evitados na fase de planificação da obra, alega a agência europeia, desde logo através da colocação dos andaimes e do transporte dentro e fora da obra.

Em causa não estão apenas os acidentes mortais, mas outros problemas de saúde como as dores de costas (que atingem 48 por cento dos trabalhadores da construção) e problemas musculares no pescoço de ombros (36 por cento), nos braços (28 por cento) e nas pernas (23 por cento), percentagens muito superiores à média da UE para todo o mundo laboral.

Ao mesmo tempo, 600 mil trabalhadores estão sujeitos, anualmente, à presença de fibras de amianto, o que causa problemas respiratórios e é um potencial cancerígeno.

Outras substâncias tóxicas, como as tintas e solventes, provocam problemas no sistema nervoso central ou fadiga aguda e os altos níveis de ruído, a que um em cada cinco trabalhadores europeus está exposto em permanência, contribuem para problemas auditivos.

O custo financeiro da gestão deficiente em matéria de segurança e saúde no trabalho no sector da construção pode custar aos contribuintes europeus, segundo a agência comunitária, 75 mil milhões de euros por ano, quase 200 euros por pessoa, embora se considere que o verdadeiro impacto financeiro está subestimado porque muitos dos acidentes não são conhecidos.

Este valor foi obtido a partir da extrapolação de um estudo realizado no Reino Unido, segundo o qual o custo dos acidentes profissionais e problemas de saúde no sector da construção está estimado em 8,5 por cento dos custos de cada projecto.

Em Portugal, a semana europeia está a cargo do Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT), incluindo iniciativas como a atribuição de um prémio de boas práticas para as empresas ou organizações que contribuam para a prevenção de riscos profissionais na indústria da construção.

Este sector é uma das indústrias mais importantes da Europa, com um volume anual de negócio de mais de 900 milhões de euros, empregando cerca de 13 milhões de trabalhadores nos Quinze, (7,9 por cento da população activa), mas presume-se que sejam mais porque muitos estarão sem contrato.



Publicado por esta às outubro 27, 2004 10:35 AM