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outubro 31, 2004

UE/Constituição: Não reconhecer raízes cristãs é "miopia cultural" - Vaticano

[Fonte: Lusa]

O "chefe da diplomacia" do Vaticano, o arcebispo Giovanni Lajolo, qualificou hoje de "miopia cultural" o facto de não terem sido mencionadas as raízes cristãs da Europa na Constituição Europeia. Num artigo publicado pelo diário La Stampa intitulado "A nova Europa nasce sem alma", o arcebispo escreveu que muitos cristãos europeus desejavam "vivamente" que no preâmbulo da Constituição Europeia se fizesse menção às raízes cristãs do velho continente, sem pretenderem com isso "atacar" o laicismo da estrutura política. A Constituição foi assinada hoje em Roma pelos chefes de Estado ou de governo dos 25 países membros. "Mais do que o preconceito anti-cristão, que não surpreende, o que chama a atenção é a miopia cultural, porquanto dizer «raízes cristãs» não significa limitação ideológica, mas memória do fermento produzido na história da Europa e difundido em todo o mundo a partir da Europa, da maior revolução do espírito que a Humanidade conheceu", argumentou Lajolo. Segundo o secretário do Vaticano para as relações com os Estados, "a menção servia para manter viva a consciência da identidade histórica da Europa e dos seus valores irrenunciáveis". "Se a nova velha Europa quer desempenhar na história um papel digno do seu passado não poderá ocultar-se em vagas reminiscências, mas terá de estar consciente do que delineou a sua fisionomia espiritual", acrescentou. O arcebispo insistiu em que o reconhecimento das raízes cristãs não significa "o regresso a uma época passada, mas a espera de um novo humanismo". Apesar de o Vaticano não esconder a sua desilusão, João Paulo II, durante a audiência que concedeu quinta-feira ao presidente cessante da Comissão Europeia, Romano Prodi, formulou o voto de que a União Europeia "possa expressar sempre o melhor das grandes tradições dos seus Estados". O papa sublinhou que "ninguém pode negar a contribuição do cristianismo para a formação europeia". O Sumo Pontífice católico, de 84 anos, destacou que a Santa Sé sempre favoreceu a UE e sempre sentiu o dever de expressar abertamente "as justas esperanças de um grande número de cidadãos cristãos da Europa, que pediam a sua intercessão". "Por isso - disse ainda -, a Santa Sé recordou a todos como o cristianismo contribuiu para a formação de uma consciência comum dos povos europeus e a civilização dos mesmos. Que isso se reconheça ou não nos documentos oficiais, é um dado inegável que nenhum historiador pode esquecer".

Publicado por esta às outubro 31, 2004 05:03 PM