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outubro 27, 2004
UE: Durão «em risco»
UE: Durão «em risco»
26-10-2004 20:59
Maioria dos eurodeputados do grupo dos Democratas e Liberais irá pronunciar-se contra
A maioria dos eurodeputados do grupo dos Democratas e Liberais irá pronunciar-se contra a equipa de Durão Barroso, segundo uma votação efectuada no grupo após uma reunião com o presidente eleito da Comissão Europeia.
Segundo uma fonte daquele grupo que participou na reunião, 50 eurodeputados votaram contra, 23 a favor e cinco abstiveram-se.
No total, o grupo dos Democratas e Liberais conta com 88 eurodeputados, considerados cruciais para fazer passar a equipa de Durão Barroso.
Assim - e depois de o grupo dos socialistas ter anunciado que votará contra, embora admitindo que alguns dos seus eurodeputados, cujos partidos estão nos governos, possam votar a favor ou abster-se - , mantém-se a incógnita sobre a votação de quarta-feira em Estrasburgo.
A votação dos Democratas e Liberais verificou-se depois de uma reunião com o presidente eleito da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que se escusou a prestar declarações.
Ainda antes do encontro sabia-se os liberais britânicos, alemães, franceses e italianos, que perfazem 42 eurodeputados, mais três flamengos belgas e dois finlandeses, estavam decididos a votar contra a equipa escolhida pelo ex-primeiro-ministro português.
A equipa de Durão Barroso é sujeita quarta-feira à votação do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e tem apenas garantidos os votos a favor dos 268 deputados do Partido Popular Europeu (PPE) e dos 27 da União para a Europa das Nações.
Durão em risco
Matematicamente, e se todos os eurodeputados votarem como o anunciado, o elenco comunitário proposto pelo ex-primeiro- ministro português será chumbado, o que a acontecer será inédito na história da União Europeia.
A favor, Barroso tem garantidos os votos de 268 eurodeputados do Partido Popular Europeu (PPE), 27 da União para a Europa das Nações, 23 liberais e 12 do grupo dos não-incritos.
Contra estará a maioria dos 200 socialistas, os 42 dos Verdes, os 41 do Grupo da Esquerda Unitária, 37 euro-cépticos, cerca de 50 liberais e dez do grupo de não inscritos.
Se esta votação se confirmar, as contas dão uma maioria muito confortável aos parlamentares que estão contra o elenco de Barroso, mas tudo dependerá de como cada um votar quarta-feira.
Segundo fontes parlamentares, o grupo do PPE estará em negociações para propôs, quarta-feira, o adiamento da votação, mas os restantes grupos parlamentares estão contra, aceitando apenas mudar no caso de Barroso tirar o pelouro da Justiça e Assuntos Internos das mãos do italiano Rocco Buttiglione.
O comissário indicado por Silvio Berlousconi, com quem Durão Barroso falou por telefone, afirmou que a homossexualidade é um pecado e que o papel da mulher é ter filhos e ser protegida pelo marido.
Apesar da rejeição da maioria dos eurodeputados, Barroso recusou-se a afastar o italiano do pelouro e acabou por propor algumas medidas alternativas como chamar a um grupo de comissários a responsabilidade dos direitos fundamentais e a criação de uma agência europeia que se dedique sobre o tema.
As medidas não foram suficientes para convencer os eurodeputados, que também não gostaram de ouvir Durão Barroso apelar "àqueles que estão mais comprometidos" com a construção europeia para que não votem quarta-feira "com os extremistas que não querem o projecto" comunitário, pondo no mesmo barco esquerda, extrema-direita e anti-europeus.
Caso seja rejeitado o elenco comunitário, o nome de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia, segundo um parecer jurídico do Parlamento Europeu, mantém-se, uma vez que já foi eleito pelos eurodeputados em Julho passado.
Publicado por esta às outubro 27, 2004 10:22 AM