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outubro 26, 2004

UE: Buttiglione recusa renunciar

UE: Buttiglione recusa renunciar
21-10-2004 21:52


E espera por votação do Parlamento Europeu, marcada para dia 27

O italiano Rocco Butiglione afastou hoje a possibilidade de renunciar ao seu posto de comissário europeu para a Justiça como reclamam diversos grupos políticos no Parlamento Europeu.

"A única coisa que me resta é esperar pelo dia 27. A decisão está nas mãos do Parlamento. A mim resta-me apenas aguardar", declarou.

O futuro presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, recusou hoje alterar a constituição da sua equipa, tendo aceite apenas reduzir as atribuições do comissário italiano com a tutela da Justiça, Liberdade e Segurança, autor de declarações controversas sobre a homossexualidade e a família.

Buttiglione afirmou, a este propósito, que, ao aceitar partilhar as prerrogativas que lhe estavam atribuídas, está a "fazer um sacrifício para ajudar todos a sair de uma situação infeliz".

"Não me sinto colocado sob nenhuma tutela. A proposta de Durão Barroso confere-me uma responsabilidade ainda maior num quadro colegial", declarou.

"Creio que é justo da minha parte fazer um sacrifício para ajudar todos a sair de uma situação infeliz que foi criada", acrescentou Buttiglione.

Os partidos de esquerda no Parlamento Europeu anunciaram já o seu voto contra a investidura do novo executivo comunitário, a 27 de Outubro, estando agora a chave da eleição de Durão Barroso nas mãos dos liberais e centristas.

O líder deste grupo, Graham Watson, exortou hoje Buttiglione a desistir.

Para que a Comissão seja aprovada pelo hemiciclo comunitário é necessário o voto favorável da maioria dos eurodeputados. Estando, à partida, garantido o voto do Partido Popular Europeu, maioritário no Parlamento, é necessário ainda o voto de outro dos maiores grupos, os liberais ou os socialistas.

Entretanto, a proposta hoje apresentada pelo presidente da futura Comissão Europeia foi mal recebida em Itália.

"É um erro", declarou hoje o ministro das Reformas, Roberto Calderoli, dirigente da Liga do Norte, que integra a coligação liderada por Silvio Berlusconi.

"A quem vão servir estas quatro figuras tutelares: uma para os heterossexuais, uma para as lésbicas, outra para os homossexuais e uma para os transsexuais?", ironizou.

Luciano Violante, líder parlamentar dos democratas de esquerda, qualificou a solução encontrada como "uma pequena afronta" à Itália, que "é colocada sob a tutela de outros países europeus".

Proposto para a pasta da Justiça, Liberdade e Segurança, Rocco Buttiglione foi recusado pela Comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos do PE, que não gostou de o ouvir dizer, perante a Comissão de Liberdades Cívicas, que a homossexualidade é "um pecado" e que a família "existe para permitir à mulher ter crianças e ser protegida pelo marido".



Publicado por esta às outubro 26, 2004 06:54 PM