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outubro 29, 2004

UE: Barroso inicia contactos para resolver crise

UE: Barroso inicia contactos para resolver crise


Com chefes de Estado e de Governo dos 25 reunidos em Roma

O futuro presidente da Comissão Europeia vai aproveitar a cerimónia de assinatura do Tratado Constitucional europeu, sexta-feira, em Roma, para intensificar os contactos tendentes a resolver a crise aberta com o adiamento da aprovação da sua equipa.

José Manuel Durão Barroso terá uma série de contactos com chefes de Estado e de Governo dos 25 reunidos em Roma hoje e sexta-feira à margem da cerimónia de assinatura do Tratado Constitucional europeu, anunciou hoje, em Bruxelas, uma porta-voz comunitária.

Durão Barroso, que chega hoje ao fim da tarde a Roma, tem previsto um jantar de trabalho com o primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende, que assegura a presidência rotativa semestral da União Europeia.

O início de funções de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, prevista para 01 de Novembro, foi adiado depois de o ex-primeiro ministro português ter decidido retirar a sua equipa de 24 comissários de uma votação crucial no Parlamento Europeu que deveria ter-se realizado quarta-feira, em Estrasburgo.

O Parlamento Europeu preparava-se para chumbar a equipa de Durão Barroso e exige a alteração das funções de alguns dos seus membros.

Agendada para sexta-feira de manhã em Roma, a cerimónia de assinatura do novo Tratado de Roma - o primeiro criou em 1957 a Comunidade Económica Europeia - está a ser ensombrada pela crise aberta por estes acontecimentos.

Durão Barroso vai assim desenvolver uma série de contactos bilaterais para tentar avançar na resolução da crise, sendo também provável que durante o almoço de sexta-feira a questão seja abordada pelos chefes de Estado e de Governo.

Durão Barroso afirmou hoje que procederá a "mudanças pontuais" na composição da sua nova equipa, que tenciona apresentar ao Parlamento Europeu dentro de "menos de um mês".

Em declarações à rádio francesa Europe 1, Durão Barroso admitiu que não poderia aceitar um comissário que tivesse "problemas" com o Parlamento, sem todavia se referir explicitamente a Rocco Buttiglione, o comissário italiano na origem da actual crise.

Além de reclamarem o afastamento de Buttiglione, apontado para a pasta da Justiça, Liberdade e Segurança, na sequência das suas polémicas declarações sobre homossexualidade e o papel da mulher na sociedade, eurodeputados de diferentes grupos reclamam outras alterações.

Instado a precisar a amplitude das alterações a operar, Durão Barroso respondeu: "Bem menos que oito ou dez, mas não posso dizer o número exacto. Farei o que for necessário e suficiente para a Europa, não farei alterações que não sejam necessárias".

O Tratado Constitucional que vai ser assinado terá de ser, em seguida, ratificado pelos 25 Estados-membros, tendo 10 deles, entre os quais Portugal, anunciado a realização de referendos.

A não ratificação por parte de um dos países que sexta-feira vão assinar o Tratado poderá significar o fim de um documento que foi preparado durante mais de dois anos e negociado pelos Estados-membros da UE durante nove meses.

Portugal será representado na cerimónia de assinatura pelo seu primeiro-ministro.

Pedro Santana Lopes chega a Roma a meio da tarde de hoje e tem agendados, à margem da cerimónia de assinatura, um encontro com o primeiro-ministro da Dinamarca e outro, sexta-feira, com o primeiro- ministro da República Checa.




Publicado por esta às outubro 29, 2004 10:19 AM