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outubro 26, 2004

UE: Alargamento poderá minar eficácia, adverte cientista político dos EUA



Lisboa, 26 Out (Lusa) - O cientista político norte-americano Michael Zuckert defendeu hoje que o alargamento da União Europeia (UE) poderá minar a sua eficácia e tornar menos provável uma verdadeira reforma estrutural, numa conferência a decorrer na Fundação Gulbenkian em Lisboa.

"A União Europeia não é estruturalmente saudável e tem-se baseado, aparentemente, em elementos não estruturais para compensar o seu défice estrutural no passado", sustentou Zuckert na sua intervenção na conferência sobre "As novas fronteiras da Europa", num painel subordinado ao tema "Modelos políticos do alargamento, Estado e defesa".

"A adesão de mais Estados, que introduzem mais diferenças de interesses e cultura, mina os factores não estruturais que parecem ter contribuído até agora para a eficácia da UE", acrescentou.

Baseando-se na análise estrutural do pai da constituição dos Estados Unidos (1787), James Madison - que considera manter grande validade como modelo abstracto do federalismo -, Zuckert defende que a UE padece de um substancial "défice federal".

"É possível que mesmo na área em que a UE tem tido maior êxito, na criação de uma ampla área de comércio livre e de uma moeda comum, o alargamento tenha consequências problemáticas", afirmou.

"A criação do Mercado Comum - que não ocorreu sem obstáculos e sobressaltos - foi uma conquista em que o forte interesse comum dos Estados membros da UE conseguiu sobrepor-se a todas as fragilidades estruturais", prosseguiu.

"O alargamento da União Europeia introduz maiores disparidades económicas e de mercado do que se verificou até agora com o quase inevitável resultado de que as diferenças de interesses desempenharão um papel maior do que no passado", acrescentou.

Segundo Michael Zuckert, a teoria de Madison sugere ainda a probabilidade de as esperanças e ambições da UE para se tornar uma entidade transnacional mais integrada não serem fáceis de concretizar, devido às suas fragilidades estruturais.

"O défice federal da UE é demasiado grande para suportar os ambiciosos planos e projecções da Europa pós Maastricht", concluiu.

ANC.

Lusa/fim


Publicado por esta às outubro 26, 2004 06:20 PM