« Dólar atinge mínimo face ao euro | Entrada | Mercosul e UE discutem criação de uma zona de livre comércio »
outubro 20, 2004
Sem Terra protestam em Brasília contra acordo de livre comércio Mercosul-UE
[Fonte: Jornal Digital]
Brasília - Cerca de 100 manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) protestam, esta quarta-feira, em frente ao Itamaraty contra as negociações do acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE).
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participa, esta quarta-feira, em Lisboa, Portugal, na reunião Mercosul-UE. No encontro, serão avaliadas as ofertas apresentadas pelos dois grupos e o andamento das negociações sobre o acordo de livre comércio entre os blocos económicos.
«Esse acordo tem sido discutido às pressas e a sociedade brasileira não tem participado do debate sobre o acordo. Se ele for assinado do jeito que está, vai prejudicar amplos sectores da sociedade brasileira e beneficiar poucos segmentos, que são os do agronegócio exportador», afirma Rogério Mauro, da coordenação nacional do MST.
Segundo Mauro, os principais prejudicados com o acordo serão os pequenos agricultores. «As perdas serão grandes, principalmente no caso do leite, onde estão diminuindo as tarifas de importação do produto. Isso pode representar a quebra de milhares de produtores no país. Além de causar o desemprego e o êxodo rural», afirmou.
Os manifestantes fixaram uma faixa na entrada do palácio com os dizeres: «Soberania Sim. Livre comércio Não». Além de protestar contra o acordo, com gritos exaltados, os manifestantes fizeram uma roda e cantaram em favor da reforma agrária. Encenaram também uma peça teatral enfatizando as riquezas do Brasil e como os governantes, usualmente, as colocam em leilão.
Mauro também lembrou o encontro dos representantes da Via Campesina - organização que reúne movimentos sociais ligados aos pequenos produtores e trabalhadores rurais sem terra - com os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, para tratar da negociação em torno do livre comércio. Durante o encontro, os ministros garantiram que o Governo brasileiro não vai abrir o mercado para países que concedam subsídios ao sector agrícola. Segundo o responsável, o verdadeiro resultado da reunião vai ser conhecido depois que o ministro Amorim chegar de Portugal.
O presidente da Comissão do Mercosul na Câmara dos Deputados, Dr. Rosinha, do Partido dos Trabalhadores (PT) do estado do Paraná, também apareceu na manifestação. E endossou as críticas do MST. «Sou contra o acordo no nível em que está se dando. Uma negociação sem transparência vai contra a soberania nacional e os interesses da maioria do povo brasileiro. Em todas as áreas, está contra o interesse da sociedade brasileira. Destrói a produção de alho, cebola, milho e tudo que envolve a pequena agricultura», lembrou.
O deputado ressalta que o acordo vai beneficiar somente os monopólios de produção: «A produção poderá aumentar na ordem de 2,5 mil milhões de dólares e com uma visão pessimista, de no máximo mil milhões de dólares. Entretanto, ao destruir a exportação e a agricultura familiar, estamos no prejuízo, porque essa destruição não compensa esse pequeno ganho em curto prazo».
E. M.
(c) PNN - agencianoticias.com
Publicado por esta às outubro 20, 2004 12:53 PM