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outubro 27, 2004

Sampaio pede "ambição" para o Orçamento europeu

[Fonte:Jornal de Notícias]
debate Discussão sobre as novas fronteiras da Europa juntou diversas personalidades na Fundação Calouste Gulbenkian Chefe de Estado e Rui Vilar defendem adesão da Turquia à UE

O Presidente da República defendeu ontem a criação de fundos europeus de defesa, luta contra o terrorismo, ou inovação, para solucionar alguns dos problemas do orçamento comunitário da Europa alargada, advertindo para que a questão orçamental da Europa é "uma questão política".

Jorge Sampaio falava na abertura da conferência internacional "As novas Fronteiras da Europa" que decorre na Fundação Gulbenkian. E na qual sublinhou que "na discussão do orçamento europeu se joga a questão política da Europa na dupla vertente 'Até onde?' e 'Que Europa?", ou seja, joga-se a decisão sobre "as novas fronteiras europeias".

O chefe de Estado destacou que na União alargada, que se prepara para receber a Roménia e a Bulgária, que vai iniciar negociações com a Croácia e eventualmente com a Turquia, a opção deve ser "reforçar a estabilidade, a solidariedade e a coesão económica e social". Isto porque, "com o último alargamento, a população europeia aumentou 20%, mas o PIB per capita diminuiu 12,5% e as disparidades socio-económicas duplicaram".

É uma questão, disse, de "nível de ambição e desígnio político". Ou: "uma questão de meios - recursos que queremos afectar ao projecto europeu".

Para prosseguir os objectivos da reunificação da Europa, defendeu, "temos que a dotar de meios financeiros suficientes e necessários para a sua realização". "Não há uma solução mágica", realçou o Presidente, mas, a seu ver, "um bom compromisso será o que articular um cenário de 'competitividade-solidariedade' com uma visão adequada dos bens públicos europeus'. Por isso, então, propôs duas "pistas" para solucionar problemas. Uma, a criação de novos "bens público europeus", como os fundos financeiros para a Defesa ou luta anti-terrorista. Outra, "reinterpretar a aplicação do Pacto de Estabilidade aos países contribuintes líquidos por forma a possibilitar um nível de contribuição mais elevado para o orçamento comunitário".

Jorge Sampaio referiu outro exemplo da questão das novas fronteiras europeias: a adesão da Turquia.

O próximo Conselho Europeu "deve aceitar a abertura das negociações", defendeu, pois "a adesão da Turquia representa uma formidável oportunidade para a Paz", e permite "reforçar o consenso em torno da laicidade do estado turco", e permitirá "uma melhor percepção da Europa por parte dos Estados muçulmanos, invalidando a ideia falsa e perigosa da tão propalada "guerra de civilizações".

Publicado por esta às outubro 27, 2004 11:40 AM