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outubro 14, 2004

Sampaio critica "Ineficácia das Políticas de Comunicação" da UE

[Fonte: O Público]

O Presidente da República Jorge Sampaio aconselhou ontem, em Yuste (Espanha) a União Europeia (UE) a melhorar as suas políticas de imagem para combater o "alheamento dos cidadãos" e "anular muitas caricaturas que prejudicam adesões".

Num discurso centrado na Europa e nos desafios que se colocam à entrada em vigor do tratado constituicional, Jorge Sampaio afirmou ser necessário "reconhecer a persistente ineficácia das políticas de comunicação da União, das quais se esperaria, face aos meios ao seu dispor, uma diferente perícia para fazer chegar às populações as linhas facilmente apreensíveis da bondade deste caminho".

Ninguém foi poupado por Jorge Sampaio nas razões desse insucesso. "Nem os governos, nem as instituições comunitárias, nem as forças políticas dos diversos Estados, nem os media têm sabido exercer um devido trabalho pedagógico, para através dele quebrar o preocupante alheamento dos cidadãos", disse o Presidente.

As críticas de Sampaio foram proferidas durante a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Carlos V, que este ano galardoou o Presidente português pelos "valores humanitários, pela sua actividade na Comissão Europeia dos Direitos Humanos do Conselho da Europa e pela sua contribuição para a unificação das cidades europeias, desde o sudueste peninsular ibérico".

Na brochura do evento, Jorge Sampaio é apresentado como um "freedom fighter", que nos anos quentes da Revolução do 25 de Abril era "identificado com o sector moderado do Movimento das Forças Armadas (MFA)" e que no IV Governo provisório "teve a seu cargo as negociações com as colónias africanas prestes a ganhar a independência".

Presentes na cerimónia estiveram personalidades como o Rei de Espanha, Juan Carlos, o ex-Presidente da URSS, Michail Gorbachov (galardoado com o mesmo prémio em 2002), e membros da Academia Europeia de Yuste, responsável pelo prémio, como o escritor José Saramago, o violoncelista Matislav Rostropovich, o sociólogo Alain Touraine e o teólogo Hans Kung. O Governo português fez-se representar pelo ministros dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, e da Cultura, Maria João Bustorff.

Com assiduidade bianual, Yuste premeia o "trabalho daquelas pessoas que com o seu esforço e dedicação tenham contribuido para o conhecimento geral e engrandecimento dos valores culturais, científicos e históricos da Europa". Para além de Gorbachov, foram já galardoados o francês Jacques Delors, o belga Wilfried Martens e o espanhol Felipe Gonzalez.

Publicado por jpdias às outubro 14, 2004 02:05 AM