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outubro 14, 2004
PE Abre a Porta ao Compromisso no Caso Buttiglione
[Fonte: Público]
Os lideres dos grupos politicos do Parlamento Europeu (PE) procuraram ontem acalmar a tensão que rodeia a formação da nova Comissão Europeia, ao deixar nas mãos de Durão Barroso a responsabilidade pela resolução do imbróglio gerado em torno do comissário italiano Rocco Buttiglione.
Reunidos em sessão extraordinária para analisar os resultados das audições realizadas pelas comissões parlamentares especializadas aos vinte e quatro comissários, os presidentes dos oito grupos decidiram não tomar posição sobre a rejeição de Buttiglione decretada na segunda-feira pela comissão das liberdades cívicas. Ao invés, limitaram-se a remeter directamente a Barroso os pareceres das comissões e esperar pela sua reacção durante uma reunião conjunta no dia 21 de Outubro, seis dias antes do voto de investidura da totalidade da equipa pelo PE
"A conferência dos presidentes tomou boa nota do conteúdo [dos pareceres] e decidiu remetê-los formalmente ao presidente da Comissão para que retire deles as considerações que entender", anunciou Josep Borrell, presidente do PE. "Uma maioria muito consistente de grupos não considerou oportuno entrar no debate" durante a reunião de ontem, precisou.
Pelo menos o grupo dos Verdes pretendia levar os presidentes a decretar que a escolha do democrata-critão Rocco Buttiglione para a pasta da justiça e assuntos internos, e do socialista húngaro Lászlo Kóvács para tutelar a energia, não seriam aceitáveis devido aos pareceres negativos das respectivas comissões parlamentares. Esta pretensão colocaria Barroso na desconfortável situação de ter de alterar a distribuição dos pelouros ou mesmo pedir aos governos italiano e húngaro para nomear novos comissários.
Os dois maiores grupos - o PPE (conservador e democrata-cristão) e o PSE (socialista) - que têm em conjunto a maioria dos 732 eurodeputados, opuseram-se no entanto a qualquer tomada de posição, de modo a deixar o caminho livre a Barroso. "A bola está agora no campo do senhor Barroso", afirmou Hans-Gert Poettering, presidente do PPE. Esta solução permitirá ao futuro presidente salvar Buttiglione mediante uma garantia de que a visão considerada excessivamente conservadora do comissário italiano sobre a homosexualidade e o casamento não afectará o exercício das suas funções.
Os outros grupos estão convencidos que os dois "mastodontes" se voltaram a entender para "salvar" os dois comissários oriundos das respectivas famílias políticas. Isto porque a rejeição de Buttiglione levou de imediato o PPE a disparar baterias contra o socialista Kóvács, tornando claro que a queda de um comissário de direita arrastaria consigo outro da esquerda.
"Assistimos ao ressucitar do acordo técnico entre os dois grandes grupos", acusou Monica Frassoni, presidente dos Verdes, referindo-se à aliança concluida entre o PPE e o PSE em Julho passado para partilhar os cargos de chefia do PE. Os dois grupos "estão a conspirar com os Liberais para apoiar a nova Comissão independentemente da gravidade dos seus defeitos", acrescentou.
"Não há nada a fazer, é assim que esta casa funciona", resignou-se um responsável do PE, notando, a propósito, que os presidentes dos dois maiores grupos "entraram na sala da reunião de braço dado".
Apesar do armistício que se anuncia, os grupos não apreciaram a forma como Durão Barroso deu a conhecer na terça-feira, através de uma porta-voz da Comissão, que mantinha a confiança na totalidade da equipa. Segundo Borrell, os presidentes dos grupos foram "unânimes" a afirmar que "algumas tomadas de posição do senhor Barroso e do seu porta-voz sobre o papel que assumirá e sobre o papel do Parlamento, não foram bem recebidas".
Publicado por jpdias às outubro 14, 2004 06:28 PM