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outubro 14, 2004
Parlamento Europeu remete solução do caso Buttiglione para futuro presidente da Comissão. Decisão nas mãos de Barroso
[Fonte: O Primeiro de Janeiro]
Os líderes dos grupos parlamentares do Parlamento Europeu decidiram ontem que deve ser o presidente indigitado da Comissão a resolver o problema suscitado com a nomeação do italiano Rocco Buttiglione.
A reunião extraordinária de ontem “não trouxe nenhum valor acrescentado” às conclusões das comissões que avaliaram todos os candidatos a comissários, afirmou o presidente da instituição.
Segundo o socialista espanhol Josep Borrel, “uma maioria consistente” de grupos políticos “preferiu não entrar a fundo na questão” e optou por remeter para Durão Barroso as cartas das comissões com o resultado das audiências e ouvir a sua reacção no próximo dia 21.
Pela primeira vez na história do PE, a Comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos recusou na última segunda-feira o nome proposto para a pasta da Justiça e Assuntos Internos, o italiano Rocco Buttiglione, devido às polémicas declarações que fez sobre a homossexualidade. O líder dos conservadores no PE instou Durão Barroso a chegar a um compromisso que permitisse afastar um voto negativo, que criaria uma crise sem precedentes na UE ao deixar a União sem um governo. “Esperamos que o senhor Barroso esteja em condições de assumir funções”, disse Hans-Gert Poettering.
Também o eurodeputado alemão Martin Schulz, chefe do grupo parlamentar do Partido Socialista Europeu, afirmou que cabe ao presidente da Comissão “encontrar uma solução”, após o revés com Buttiglione.
Mais uma polémica criada em torno deste caso foi levantada por Mirko Tremaglia, que qualificou os eurodeputados de “maricas”. Josep Borrell, classificou ontem como “pouco apropriados” os insultos proferidos pelo ministro italiano. A recusa pelos eurodeputados da nomeação do italiano Buttiglione para comissário da Justiça, Liberdade e Segurança irritou o governo italiano, no qual Buttiglione ocupou a pasta dos Assuntos Europeus. Assim, na última terça-feira à noite, Tremaglia, membro da Aliança Nacional do vice-primeiro-ministro Gianfranco Fini, divulgou uma nota em que criticou a “pobre Europa” onde “os maricas estão em maioria”. O comentário gerou uma onda de protestos na imprensa transalpina, a que o ministro, de 78 anos, respondeu afirmando que se limitou “a traduzir para italiano a palavra «gay»”, utilizando o termo “cullatoni”, que significa literalmente “maricas”.
Publicado por jpdias às outubro 14, 2004 05:50 PM