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outubro 30, 2004

Mota Amaral Encara Turquia como "Aliada Natural" de Portugal

[Fonte: Público]

O presidente da Assembleia da República (AR), João Bosco Mota Amaral, considerou ontem, no último dia da sua visita à Turquia, que a entrada daquele país na União Europeia (UE) poderá trazer vantagens a Portugal. Em jeito de balanço da passagem pelo país que espera o início das negociações para a adesão já a partir da proxima cimeira de encerramento da actual presidência da UE, Mota Amaral afirmou que, "apesar do distanciamento geográfico e linguístico", se "podem gerar afinidades de interesses". A conclusão deriva dos três dias de visita, durante os quais, o segundo responsável da hierarquia política portuguesa percebeu "como a visão [portuguesa] poder ser convergente" com a turca. "Somos ambos as vozes da periferia na UE", disse. Concordou por isso com a ideia de que a nação cujo governo é caracterizado como islamista moderado, possa vir a tornar-se "aliada natural" com o futuro alargamento. Mota Amaral acredita mesmo que Portugal poderá tirar dividendos do apoio já expresso à adesão turca. Lembrando palavras do presidente da Grande Assembleia Nacional da Turquia, mostrou-se confiante em que as autoridades venham a recompensar esse apoio no momento em que interesses portugueses estiverem em discussão. "Numa Europa a 29, a Turquia passa a ser o segundo maior país da União. Terá peso. Esse é um factor a ter em conta na promoção dos valores portugueses dentro da UE", explicou. Sobre as posições mais cépticas relativamente a esta entrada, Mota Amaral voltou a reiterar a sua divergência, acrescentando que resultam de uma "visão incompleta que deriva, provavelmente, da percepção das comunidades turcas que vivem nos países europeus e que não estão acompanhando o progresso vivido na sociedade turca". O presidente da AR expressou a percepção que "há aqui [Turquia] uma nova geração que quer entrar em esquemas de modernidade". Os obstáculos levantados à Turquia foram criticados mais de uma vez pelo responsável português durante a viagem, que não se cansou de reafirmar a convicção de que a não entrada deste país na UE seria uma grave injustiça: "Se a Turquia era suficientemente boa na fase difícil [durante a guerra fria, quando alinhou ao lado do Ocidente e da NATO] não lhes podemos dizer agora ficam de fora porque são muçulmanos." Ontem, a comitiva de Mota Amaral concentrou-se nos principais locais culturais e turísticos da cidade de Istambul. O dia começou com uma visita à Mesquita Azul, passou pelou museu de Santa Sofia, com um almoço no palácio dos tesouros que restaram do império otomano. Aí teve oportunidade de ver de perto um dos maiores diamantes do mundo e olhar para o que é apresentado pelo palácio como as relíquias de São João Baptista (crânio e braço direito).

Publicado por esta às outubro 30, 2004 05:54 PM