« barroso presentará su composición en memos de un mes | Entrada | La leçon de maoïsme de Daniel Cohn-Bendit »
outubro 28, 2004
Mota Amaral Critica Opositores da Entrada da Turquia na UE
Fonte: Público
O presidente da Assembleia da República (AR), João Bosco Mota Amaral aproveitou o primeiro dia da sua visita à Turquia para considerar pouco "razoáveis" as "suspeições" levantadas por europeus que estão reticentes em relação à entrada daquele país na União Europeia (UE).
Numa das reuniões que teve durante o dia de ontem, em Ancara, capital turca, Mota Amaral afirmou "não ser razoável" certas considerações feitas depois dos esforços de aproximação feitos pelas autoridades turcas. "Parece que certas pessoas ainda vivem no tempo do cerco de Viena [finais do século XV, quando o avanço otomano na Europa foi travado]", disse o presidende do Parlamento português no encontro que teve com o grupo parlamentar de amizade Turquia-Portugal.
Antes desta crítica, já Mota Amaral havia repetido o apoio português às pretensões turcas. "Sabemos que, em partes da Europa, a adesão da Turquia é encarada com um desafio ou até mesmo como um perigo. Essa não é a posição portuguesa", garantira horas antes ao presidente da Grande Assembleia Nacional da Turquia.
Por mais de uma vez, o presidente da AR quis "congratular" o Governo e deputados turcos pelas reformas implementadas nos últimos dois anos, pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (islamista moderado que controla dois terços do Parlamento e o Governo).
Mota Amaral, para quem a entrada deste país na UE é uma questão de tempo, destacou ainda durante os seus contactos a vantagem que representa para a Turquia ter Durão Barroso à frente da Comissão Europeia: "Teremos agora um presidente que está consciente da necessidade de tornar o processo de negociação mais rápido."
Da parte dos responsáveis turcos, a ênfase da mensagem transmitida estava na injustiça que consideravam estar a ser feita ao seu país.
Bulent Arinç, presidente da Grande Assembleia Nacional da Turquia, foi particularmente duro quando se referiu aos que têm levantado reticências à adesão. "Os que não quiserem [a entrada da Turquia ], vamos saber quem eles são no dia 17 de Dezembro [cimeira europeia na qual os chefes de Estado e Governo terão de decidir sobre abertura de negociações com a Turquia]", disse. Antes disso já havia explicado as razões para considerar inaceitáveis decisões como a realização de um referendo em França sobre a entrada da Turquia. "Nesta fase do processo não queremos discriminações e queremos que as regras sejam as mesmas que foram usadas para outros candidatos", resumiu Arinç.
Os restantes responsáveis turcos mostraram-se mais diplomáticos, embora tenham insistido em transmitir a ideia de que, para eles, é impensável que a entrada fosse barrada. O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou as vantagens da adesão ao lembrar que a taxa de crescimento do PIB prevista para este ano é de dez por cento. "Vamos tornar o bolo maior", afirmou Abdullah Gul. O Presidente da Turquia, Ahmet Sezer, destacou o potencial ao nível da "segurança europeia". O primeiro-ministro, Recep Erdogan, garantiu que 75 por cento da população apoia a integração.
Durante os encontros com as autoridades turcas, Mota Amaral, escutou elogios à posição portuguesa. Bulent Arinç afirmou que os responsáveis do seu país estavam "muito satisfeitos com o apoio de Portugal". O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gul, fez questão de garantir que essa posição traria benefícios no futuro. "Nós nunca o esqueceremos, é claro", afirmou no encontro que teve com Mota Amaral.
O PÚBLICO viajou a convite do presidente da Assembleia da República.
Publicado por esta às outubro 28, 2004 02:57 PM