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outubro 16, 2004
Missão europeia impedida de entrar em Cuba
[Fonte: Correio da Manhã]
Uma missão europeia composta por três eurodeputados, liderados pelo espanhol Jorge Moragas, e por dois representantes de organizações não-governamentais foi impedida de entrar em Cuba, numa visita que incluia encontros de apoio com dissidentes do regime de Fidel Castro.
Os cinco elementos da missão europeia foram interceptados assim que saíram do avião da Air France que os levou até Havana e obrigados a entrar de novo no mesmo avião, para viajar de regresso a Paris. A missão era liderada pelo eurodeputado espanhol Jorge Moragas, eleito pelo PP (na Oposição em Espanha), e incluía ainda dois eurodeputados holandeses, Boris Dittrich e Kathleen Ferrier. Recorde-se que a Holanda detém actualmente a presid~encia rotativa da União Europeia.
Moragas tinha planeado encontros com dissidentes do regime cubano, em claro desafio da posição do governo socialista espanhol, que anunciou ser sua intenção recuperar boas relações entre a União Europeia e Cuba. Esta relação bilateral deteriorou-se no ano passado, devido às duras críticas feitas pela comunidade europeia aos abusos de direitos humanos em Cuba. Era já uma relação fraca, dentro da qual cabiam até chamadas telefónicas sem resposta de Bruxelas para Havana, desde que a UE convidou dissidentes cubanos para as cerimónias do Dia Nacional da comunidade em Junho de 2003.
Apesar de a acção política do eurodeputado espanhol a nível comunitário constituir um claro desafio à orientação política do governo espanhol, este não deixou de manifestar o seu repúdio pela atitude das autoridades cubanas, convocando o embaixador cubano em Madrid para explicações. Esta convocatória constitui um acto protocolar de protesto. Já em Madrid, Moragas não mostrou a mesma cortesia política e pediu a demissão do embaixador espanhol em Havana.
Para as autoridades cubanas, a razão está do seu lado. De acordo com um comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em Havana, "os objectivos declarados desta visita (europeia) são uma flagrante violação da soberania cubana ... uma grave provocação política a Cuba".
Moragas visitou Cuba em Julho último, e tal como deste vez com um visto turístico, para se encontrar com dissidentes. O eurodeputado declarou hoje que vai voltar a Cuba, para se encontrar com o dissidente Oswaldo Paya e com Blanca Reyes, mulher do jornalista e poeta Raul Rivero, a cumprir uma pena de 20 anos de prisão por causa da sua escrita.
O eurodeputado espanhol parece determinado na sua postura de desafio, mas as autoridades cubanas estão atentas. No mesmo comunicado, o ministério cubano acusa-o de oferecer "apoio financeiro a mercenários" e declara: "A nossa paciência tem limites e vamos dar resposta à intromissão e provocação de inimigos que, ao serviço dos EUA, procuram subverter a nossa ordem interna".
Publicado por jpdias às outubro 16, 2004 06:43 PM