« Apreensão de Águias com Gripe Preocupa UE | Entrada | Ver e ser visto »

outubro 25, 2004

Mibel à medida da Europa

[Fonte: Visão]Energia

Lisboa leva um puxão de orelhas por causa da liberalização do sector e da posição dominante da Galp. A Agência Internacional de Energia (AIE) diz que Portugal fez progressos em matéria de eficiência energética nos últimos quatro anos, mas encontrou falhas relacionadas com a liberalização do mercado da electricidade e do gás. O director executivo da AIE, ClaudeMandil , que veio a Lisboa apresentar o Portugal 2004 Review , uma análise sobre o sector energético nacional, incentivou Portugal e Espanha a «finalizarem» a legislação necessária para o arranque do mercado ibérico da electricidade ( Mibel ) até Junho de 2005. «Portugal e Espanha têm operadores incumbentes [históricos] muito fortes, não necessariamente ineficientes, e é difícil haver concorrência. Só com a visão do mercado europeu haverá concorrência. Por isso o Mibel é tão importante, como primeira etapa», explicou. Na última análise sobre Portugal, realizada de quatro em quatro anos, a AIE aponta o dedo às posições dominantes da EDP na electricidade e da Galp no gás natural. No sector dos combustíveis, aquele organismo salientou a liberalização efectiva dos preços desde Janeiro de 2004 mas, em contrapartida, alertou contra a posição de domínio que a Galp ainda detém naquele mercado, o que requer «atenção». O director executivo da AIE recomendou às autoridades nacionais que continuem a cumprir o compromisso de manter as suas reservas de petróleo por um período não inferior a 90 dias, um prazo que a organização preferia ver alargado para um mínimo de cem dias. Portugal é o país da União Europeia (UE) que tem maior dependência do petróleo como fonte de energia primária (62% do total), o que faz com que as reservas estratégicas assumam uma importância vital para o País. No capítulo da eficiência energética, a AIE considera que muito está ainda por fazer, designadamente porque o consumo de energia cresce em Portugal mais do que o Produto Interno Bruto (PIB), uma tendência que já se alterou nos restantes países europeus. ClaudeMandil deixou em Lisboa conselhos no sentido de serem criados incentivos à utilização racional da energia e a um maior investimento em energias renováveis alternativas, como a eólica. A AIE aconselhou, ainda, Portugal a cumprir o disposto no protocolo de Quioto sobre a libertação de poluentes para a atmosfera, recordando que em 2001 as emissões de gases com efeito de estufa estavam 9,4% acima dos objectivos.

Publicado por esta às outubro 25, 2004 12:23 PM