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outubro 20, 2004

Mercosul e UE discutem criação de uma zona de livre comércio

[Fonte: Jornal Digital]

Brasília - Representantes da União Europeia (UE) e do Mercado Comum do SUL (Mercosul) reúnem-se, esta quarta-feira, em Lisboa, para tentar chegar a um acordo definitivo sobre a criação de uma zona de livre comércio antes de 31 de Outubro de 2004, quando se expira o mandato da actual comissão, com a troca de comando do organismo. A reunião é entendida por especialistas como uma última oportunidade, na actual conjuntura, para os dois blocos formalizarem o acordo.
De acordo com a Rádio França Internacional (RFI), o ministro do Comércio Exterior, François Loos, considera que a discussão de hoje será insuficiente. A França é responsável por um dos principais bloqueios da negociação, diz o noticiário da RFI, recusando-se a uma abertura maior sobre os subsídios agrícolas. Os europeus querem estabelecer um prazo de dez anos para a eliminação dessas cotas.

Ainda segundo a RFI, o ministro francês propõe que o Mercosul deve compreender que a UE é o seu maior comprador mundial de produtos alimentares, devendo agir como parceiro comercial e não como um grupo de países em desenvolvimento.

Conforme o noticiário da RFI, se não houver acordo, este será o segundo fracasso do comissário para o Comércio Internacional do organismo, Pascal Lamy - que deixa as suas funções no próximo dia 31 -, depois da Cimeira da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún (México), em Setembro do ano passado.

Em entrevista à mesma rádio, o embaixador brasileiro, Mário Vilalva, director-geral da Promoção Comercial do Itamarary, que está em Lisboa para a reunião, considerou que essa troca de comando na comissão não afecta as negociações na medida em que as posições são conhecidas como elas existem hoje. «O que é importante é que nós possamos evoluir positivamente nas nossas posições», avaliou.

A troca de pessoas, para Vilalva, pode ser positiva porque pode trazer novos ingredientes para as negociações - ares novos, pontos de vista novos e curso de acção novo que possam facilitar os entendimentos entre as partes. «Hoje, por exemplo, nós temos o ex-primeiro ministro de Portugal Durão Barroso na União Europeia», lembrou o diplomata, destacando que se trata de um amigo do Brasil - o seu pai nasceu no Brasil. Segundo Mário Vilalva, o responsável tem interesse e defende o Brasil no contexto da UE.

O embaixador brasileiro afirmou ainda que há a expectativa de novas propostas, na medida em que as feitas na última etapa das negociações foram decepcionantes. «Nós temos uma posição clara e queremos fazer valer os nossos interesses, assim como os europeus querem fazer valer os interesses deles», disse.


E. M.
(c) PNN - agencianoticias.com

Publicado por esta às outubro 20, 2004 12:55 PM