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outubro 21, 2004
Itamaraty diz que acordo negociado por Mercosul com Europa protegerá produtos brasileiros
[Fonte: Jornal Digital]
Brasília - O acordo negociado pelo Mercado Comum do Sul (Mercosul) com a União Europeia (UE) vai proteger os produtos brasileiros, informou quarta-feira a assessoria de imprensa do Itamaraty, no final da conversa mantida por manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) com o embaixador Luiz Felipe de Macedo Soares, subsecretário geral da América do Sul.
Os manifestantes foram recebidos pelo embaixador após o protesto que realizaram em frente ao Itamaraty, contra as negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE. Segundo a assessoria, o embaixador esclareceu que a actual proposta negociada pelo Brasil veta a entrada de produtos subsidiados no mercado dos países integrantes do Mercosul. A abertura para esses produtos, especialmente os agrícolas, é uma das justificações dos Sem Terra para se opor ao acordo. O sector de lácteos é um daqueles que, segundo os manifestantes, mais seria afectado pelo eventual acordo. Os lácteos do Mercosul, informa o Itamaraty, serão protegidos e só haverá redução de tarifas de importação para alguns produtos e no prazo de dez anos. Para alguns produtos, não há liberação prevista nem após esses dez anos, segundo a proposta endossada pelo Brasil para o acordo.
Quanto às alegações do presidente da Comissão do Mercosul na Câmara dos Deputados, Dr. Rosinha (PT-PR), feitas durante o protesto, de que a negociação do acordo se dá «sem transparência», a assessoria do Itamaraty informa que a proposta negociada pelo Mercosul e endossada pelo Brasil encontra-se integralmente disponível no seu site na Internet (www.mre.gov.br).
Cerca de 100 manifestantes do MST participaram no protesto de quarta-feira, dia em que o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participava na reunião Mercosul-UE, em Lisboa, Portugal. No encontro estão a ser avaliadas as ofertas apresentadas pelos dois grupos e o andamento das negociações sobre o acordo de livre comércio entre os blocos económicos.
Na semana passada, o encontro reuniu os representantes da Via Campesina - organização que reúne movimentos sociais ligados aos pequenos produtores e trabalhadores rurais sem terra - com os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, para tratar da negociação em torno do livre comércio. Durante o encontro, os ministros garantiram que o Governo brasileiro não vai abrir o mercado para países que concedam subsídios ao sector agrícola.
E. M.
(c) PNN - agencianoticias.com
Publicado por esta às outubro 21, 2004 10:02 AM